O preço dos carros usados despencou no Brasil nos últimos meses; o exemplo disso é que, em outubro, 76,2% das referências de preços de automóveis da Tabela Fipe marcaram uma queda em relação ao mês anterior.
Vale ressaltar que, nesse mesmo período, em 2025, essa proporção era de 68,3%, conforme aponta o levantamento da plataforma fipeX.
Somado a isso, não somente a quantidade de referências em queda aumentou, mas também as reduções ficaram mais intensas. Em outubro do último ano, a mediana das variações era de -0,32%; agora chegou a -1,11%.
No total, 22.737 das 29.831 referências de automóveis comparados tiveram seus preços reduzidos. Outras 6.743 subiram e 351 permaneceram estáveis.

Compradores saem ganhando, mas vendedores ficam para trás
Essa movimentação afeta fortemente o mercado, visto que as pessoas que procuram comprar carros usados saem ganhando, porém, essa tendência pesa no bolso de quem quer vender o próprio veículo.
Essa nova tendência do mercado também afeta as pessoas que buscam utilizar seus usados como entrada na compra de um outro veículo, já que os lojistas passam a avaliar os modelos recebidos na troca por valores menores.
Qual modelo é o mais prejudicado?
Dentre todos os modelos de veículos, os SUVs estão mais pressionados com essa movimentação do mercado, principalmente porque eles enfrentam uma concorrência crescente de modelos zero-quilômetro, sobretudo das marcas chinesas.

Veja quais modelos mais variaram
- SUVs: -7,4%
- Picapes compactas: -7,4%
- SUVs compactos: -7,1%
- Picapes médias: -2,5%
- Sedãs: -2,0%
- Picapes derivadas de automóveis: -0,6%
- Hatches: 0,0%
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Carros chineses são o motivo da queda
Tal movimentação pode ter uma razão bem clara: os modelos chineses. Basta analisar e ver que as maiores reduções estão nos segmentos em que as marcas chinesas, como BYD e Geely mais avançaram entre os modelos zero-quilômetro.

Além disso, a “invasão chinesa” no mercado de carros no Brasil também aumentou a pressão sobre as montadoras tradicionais, que começaram a oferecer diversas promoções para tentar combater as marcas chinesas.
Com isso, a diferença de preço entre um seminovo e um zero-quilômetro diminuiu em determinadas faixas do mercado.
Mesmo com a queda nos usados, as vendas seguem subindo
Apesar da queda nos preços, o mercado nacional de carros usados segue movimentado. De acordo com a FENAUTO (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), mais de 14 milhões de veículos foram negociados entre janeiro e setembro de 2026.