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Camisa 10 do Haiti nasceu com mãe em coma e foi batizado por médicos

Um dos principais nomes da seleção do Haiti, o próximo rival do Brasil na Copa do Mundo de 2026, Jean-Ricner Bellegarde carrega uma história de vida marcante fora de campo. O meio-campista nasceu em uma situação complicada: veio ao mundo prematuramente, aos seis meses de gestação, enquanto sua mãe estava em coma e ambos corriam risco de morte.

Sem familiares presentes no hospital naquele momento e diante da gravidade da situação, os próprios profissionais de saúde escolheram o nome do recém-nascido. Anos depois, a mãe decidiu mantê-lo como forma de homenagear aqueles que ajudaram a salvar suas vidas.

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“Minha mãe estava em coma, então, não havia ninguém lá para me dar um nome. Foi o hospital em Colombes que me deu este nome. Quando minha mãe acordou, disse que manteria porque eles haviam dito que corríamos risco de vida e era ela ou eu, mas tivemos a sorte de sobreviver”, disse em entrevista ao Le Media Carré.

“Hoje, quando minha mãe me chama de Jean-Ricner, ela diz isso com orgulho. Eu também tenho orgulho disso. Ainda estou tentando encontrar os profissionais que nos salvaram, mas por enquanto não encontrei”, completou.

Apesar de ter nascido e crescido na França, Bellegarde sempre manteve uma forte ligação com as origens haitianas herdadas do pai. O jogador passou pelas categorias de base da seleção francesa e participou de competições tradicionais do futebol juvenil europeu, mas decidiu mudar de rumo em 2025 ao aceitar representar o Haiti internacionalmente.

“Naquela época, pensei comigo mesmo: vou representar o Haiti, o país do meu pai. Os jogadores me incentivaram a ir. Eles realmente queriam que eu me juntasse a eles. Até mesmo as pessoas queriam que eu fosse. Isso realmente me motivou a ir. Pessoalmente, sei que a história da seleção francesa já está escrita. Se você se classifica para a Copa do Mundo com a França, as pessoas dizem que é só mais um dia de trabalho. O mesmo acontece se você ganha. Eu, por outro lado, queria escrever a minha própria história com o Haiti”, disse ao site Sofoot.

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A escolha teve impacto imediato. Titular durante toda a campanha das Eliminatórias da Concacaf, Bellegarde participou dos seis jogos que garantiram a classificação histórica dos haitianos para o Mundial. O país superou adversários tradicionais da região, como Costa Rica, Honduras e Nicarágua, para assegurar a vaga.

“Classificar o Haiti para a Copa do Mundo é simplesmente incrível. Para a história, para o povo. É motivo de orgulho para eles. Sabemos que vamos trazer muita alegria para um povo que não pedia nada menos do que isso. É como jogar Football Manager com um pequeno clube da Ligue 2 e tentar levá-lo à Ligue 1”.

A campanha ganhou ainda mais relevância por causa da situação vivida no Haiti. Devido à crise de segurança no país, a seleção precisou disputar todas as partidas como mandante em território estrangeiro. O próprio Bellegarde nunca visitou o país que escolheu representar.

“É uma pena não poder jogar no Haiti, especialmente para mim, já que nunca estive lá. Também acho que essa conquista traz muita esperança para as pessoas que estão passando por momentos tão difíceis. É frustrante porque sei que existem lugares lindos lá, então quero caminhar pela terra onde minha família cresceu. Quero ir para lá, e me entristece não poder conhecer meu país. Espero que o futebol ajude a acalmar os conflitos. Quando nos classificamos, a guerra diminuiu por dois ou três dias. Espero que, durante a Copa do Mundo, vençamos uma partida para que as coisas se acalmem ainda mais”.

Além da conexão com o Haiti, o meia também cultiva admiração pelo futebol brasileiro. Ronaldinho Gaúcho foi a principal inspiração da infância, em uma cultura esportiva onde Brasil e Argentina tradicionalmente dividem a preferência dos torcedores haitianos.

“Desde muito jovem, quando eu era pequeno, adorava assistir aos brasileiros e, em particular, ao Ronaldinho. Muitas vezes me disseram que tenho o perfil do N’Golo Kanté. Tento me inspirar nele e, quem sabe, me tornar como ele”, disse em entrevista ao jornal ‘Sang et Or Le Mag’.

“A seleção haitiana nunca foi muito bem, então muitos haitianos torciam para o Brasil e a Argentina. O nome do meu sobrinho é Riquelme, e isso não é coincidência. Quero incentivar os jovens. Não há empregos lá, e você pode se tornar um criminoso rapidamente. Aos 15 anos, você pode acabar com uma arma, então é melhor para os jovens no Haiti jogarem futebol”, afirmou ao Sofoot.

Atualmente no futebol inglês, após passagens por Lens e Strasbourg, ambos da França, Bellegarde chega ao Mundial como uma das principais referências da equipe caribenha. Nesta sexta-feira, ele terá pela frente justamente a seleção que admirava quando criança: o Brasil.

O confronto, válido pela segunda rodada do Grupo C, será disputado na Filadélfia. O Haiti busca seus primeiros pontos após a derrota por 1 a 0 para a Escócia na estreia, enquanto a Seleção Brasileira tenta conquistar a primeira vitória depois do empate em 1 a 1 com Marrocos.



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