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Camaçari já contabiliza 322 mil habitantes e vive novo ciclo de desenvolvimento

Há 268 anos, a Aldeia do Divino Espírito Santo, surgida 200 anos antes, se tornava a Vila de Nova Abrantes do Espírito Santo, ou, simplificando, Vila de Abrantes, que deu origem ao município de Camaçari. Desde a emancipação, muita coisa mudou. A antiga vila de pescadores, então com apenas 1.200 habitantes, experimentou várias transformações.

Foi em 1978 que a cidade vivenciou o seu primeiro ‘boom’ de desenvolvimento, com a implantação do Polo Petroquímico. Atualmente, além da química, tornou-se referência na indústria automotiva e se projeta como polo de tecnologia e logística.

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A grande estrutura viária e a proximidade de Salvador estimularam, por décadas, o movimento diário de vai e volta. Hoje, no entanto, Camaçari é cada vez mais um destino para se morar, e o crescimento populacional também se reflete na atividade econômica.

Segundo a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Adriana Marcele, de janeiro de 2025 a setembro deste ano, foram abertos 5.205 CNPJs (empresas), dos quais 4.249 são Microempreendedores Individuais (MEIs), 81,63% do total, a maioria no setor de serviços.

“O crescimento da população, com a chegada dessas novas indústrias, novas empresas e investimentos, impõe muitos desafios. Isso interfere na saúde, no sistema de educação, no social dentro do município, na habitação popular”, afirma o prefeito Luiz Caetano.

Expansão – A expansão populacional de Camaçari pode ser medida ao longo das décadas, com picos muito claros sempre associados a grandes investimentos. De pouco mais de 33 mil habitantes em 1970, segundo o Censo do IBGE, a cidade saltou, na década de 1980, para 89 mil, crescimento em torno de 170%, que coincide com a implantação do Polo Petroquímico, em 1978.

Em 1991, os camaçarienses já eram mais de 113 mil, uma variação próxima a 27%. Até o ano 2000, o crescimento foi de pouco mais de 40%, superando os 161 mil habitantes, já reflexo da implantação da Ford. O ecossistema estruturado a partir da montadora norte-americana manteve o fluxo de migração e, 10 anos depois, a população chegou a quase 243 mil, um pulo de 50%. Até que, em 2022, foram contabilizadas 300 mil pessoas em Camaçari.

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Segundo a secretária Adriana Marcele, a projeção mais recente do IBGE aponta para uma população de 322 mil habitantes. E se a população cresce, a oferta de moradia tem que acompanhar esse crescimento.

“Está tendo um boom de habitação, um volume imenso de novos empreendimentos”, constata o secretário municipal de Infraestrutura, José Mário Bastos. Por meio do Minha Casa Minha Vida, está sendo entregue este ano um total de 1.712 unidades. E, para 2027, há previsão de mais 2.160 unidades em nove conjuntos já contemplados por recursos do Novo PAC.

Cláudio Cunha, presidente da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi-BA), confirma o volume de investimentos no município. De acordo com a última pesquisa da entidade, em julho de 2026, o município respondeu por 37% das unidades verticais vendidas pelo programa no recorte de Salvador e Região Metropolitana, ante 62% da capital.

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Foto: Divulgação

Serviços – Com tantos novos moradores, a pressão por serviços e infraestrutura em Camaçari aumenta. José Mário destaca os investimentos em obras estruturantes, como a macrodrenagem do Rio Camaçari, “que vai melhorar muito a mobilidade, porque, ao lado das margens do rio, vão ser feitas as avenidas, com a implantação de parques lineares, acompanhando o curso do rio, incluindo praças, áreas de lazer e quadras de esporte”.

Na saúde, além da policlínica inaugurada recentemente, com capacidade para 54.000 atendimentos mensais, duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estão sendo construídas em Abrantes e Monte Gordo, ampliando e descentralizando a atenção básica.

Camaçari é referência em inovação

As recentes transformações econômicas levam Camaçari a viver um novo ‘boom’ de emprego nos últimos anos. Depois da retração da atividade petroquímica e do trauma provocado pela saída da Ford, o município voltou a receber investimentos. O setor petroquímico dá sinais de recuperação e a montadora chinesa BYD recolocou a cidade no mapa dos investimentos da indústria automobilística.

Em 2025, foram criados 6.351 novos postos de trabalho e, neste ano, até julho, já são 29.609 contratações. Mas não é apenas a produção automotiva que impulsiona a geração de emprego. Camaçari se consolida como centro de inovação.

Além da BYD, empresas como Goldwind, que produz aerogeradores, Sinoma Wind Blade, fabricante de pás eólicas, e Windey Energy, que desenvolve sistemas de armazenamento de energia em baterias, fazem do município um ‘hub’ de desenvolvimento tecnológico e referência na transição energética.

“O nosso grande desafio é qualificar a nossa gente para que possa acompanhar esse desenvolvimento tecnológico que tem hoje no mundo e, especialmente, aqui no nosso polo industrial”, diz o prefeito Luiz Caetano.

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Foto: Divulgação

Com a sanção do Redata, regime especial de tributação para Data Centers, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE) identifica uma oportunidade adicional para a atração de investimentos, considerando Camaçari como um dos locais com maior potencial para abrigar data centers no país, especialmente pela infraestrutura industrial, energética e de serviços já existente.

“Um dos principais posicionamentos estratégicos que o Senai Bahia está tendo diz respeito à construção de um centro de referência em eletromobilidade, que é a demanda de formação, principalmente pela instalação da planta da BYD”, diz Sérgio Martins, gerente do Senai da Região Metropolitana de Salvador. “A gente ainda pode dizer que esse processo está no início; a tendência é de realmente consolidar Camaçari como um grande polo de inovação para esse novo processo de industrialização a partir da transição energética”, completa.

Orla é aposta para alavancar o turismo

A cidade que se desenvolveu a partir de grandes projetos industriais também comporta belezas naturais que atraem turistas do Brasil e do exterior. Alguns não resistem e acabam se instalando em uma das inúmeras praias espalhadas pelos 40 km de litoral. E, também aqui, o lazer e a qualidade de vida são fontes de trabalho e renda.

Segundo levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), em 2025 Camaçari gerou de 12 a 15 mil empregos diretos no setor turístico e de eventos. Número que pode chegar a 35 mil com os postos indiretos.

Camaçari conta com mais de 4.200 leitos/meios de hospedagem cadastrados, entre resorts de grande porte, hotéis, pousadas e imóveis de temporada/Airbnb, gerando vagas para camareiras, recepcionistas, gestores e manutenção.

A jornalista Cláudia Giudice há 15 anos montou a pousada A Capela, em Arembepe, e desde 2020 se dedica exclusivamente ao empreendimento. Com público bem definido, ela não foi atingida diretamente pela retração econômica do complexo industrial com a saída da Ford, mas enxerga uma ocupação positiva com a chegada da BYD.

“A ida da Ford foi muito triste, muito complexa. Muita gente perdeu emprego, foi um momento muito difícil. Eu acho que a chegada da BYD foi muito boa, porque movimentou um monte de lugares, um monte de negócios”.

Cláudia viu a ocupação do Litoral Norte da Bahia acelerar durante a pandemia. Movimento que mudou o perfil de ocupação da orla de Camaçari. “As pessoas fizeram um movimento durante a pandemia de ter suas casas de veraneio e passar mais tempo fora. Aí tem a questão do ‘home office’, que facilita isso e permite que as pessoas trabalhem de casa”, diz a jornalista, que recebe hóspedes de São Paulo, do Rio, de Brasília, de Minas Gerais e de fora do país.

Para atender tanto os visitantes quanto a população residente que cresce a cada dia, a Prefeitura de Camaçari investe em qualificação e estrutura. “Nosso objetivo é transformar Camaçari em destino turístico de excelência, mas, antes de tudo, é preciso elevar a qualidade de vida da cidade, porque um lugar só é bom para fazer turismo se é bom para quem vive”, diz o secretário de turismo, Patrício Oliveira.

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