Banda novata de arrocha ganha R$ 700 mil

O São João da Bahia vem movimentando o Centro Histórico da capital. Uma das atrações do Santo Antônio Além do Carmo, o cantor Del Feliz agitou os amantes do forró tradicional, nesta segunda-feira, 22.

Em entrevista ao portal A TARDE, o embaixador do forró defendeu a manutenção da cultura e comentou sobre a falta de apoio para a regulamentação da Lei da Zabumba nº 13.368/2015.

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“O processo de luta para a defesa da cultura, da originalidade da festa foi uma defesa nossa. Nós começamos com a Lei da Zabumba. […] Foi uma dificuldade enorme. A gente não teve apoio. Naquele momento, não teve apoio de ninguém para a gente tocar para frente a nossa ideia”, afirmou.

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Descaracterização do São João

A lei tem como objetivo preservar a originalidade das festas juninas e valorizar as manifestações culturais tradicionais. No entanto, segundo Del Feliz, os festejos estariam passando por “descaracterização” e se afastando de suas raízes culturais.

Esse ponto estaria ligado principalmente ao aumento dos custos com atrações de grande apelo midiático, o que, na visão do artista, teria elevado os gastos a um nível insustentável.

“Além dessa questão da irresponsabilidade econômica, porque a festa ganhou uma dimensão absurda, de gastos com atrações do TikTok, da mídia, que a gente já previa que não ia funcionar, não ia ter condições de se manter assim. E também nós chegamos ao ponto limite. Estamos ainda meio que equacionando e equilibrando, mas a gente chegou ao limite também da descaracterização da festa”, afirmou ao A TARDE.

Teto de R$ 700 mil

Ao comentar sobre o debate em torno dos cachês no São João, o artista avalia a decisão do Ministério Público da Bahia (MP-BA), em conjunto com a União dos Municípios da Bahia (UPB), de estabelecer um teto de R$ 700 mil para a contratação de atrações nos festejos juninos.

Para ele, a medida representa um avanço no controle dos gastos públicos, mas não resolve o principal problema: a descaracterização cultural da festa.

“A gente entende que o Ministério Público deu um passo importante num certo controle, mas não resolvia o problema da originalidade, porque se as prefeituras continuam trazendo atrações até R$ 700 mil, todas fora do forró, nem resolve nada. A festa ia continuar descaracterizada, porque R$ 700 mil também é muito dinheiro”, explicou o artista.

Bandas de arrocha ganham mais?

Ainda ao A TARDE, Del Feliz comenta sobre a escalada rápida dos cachês de algumas bandas de arrocha (de valores baixos para cifras muito altas em poucos anos), o que levanta discussões sobre critérios de contratação e valorização cultural.

“A gente precisaria ter um olhar mais cuidadoso nessa conta que foi feita, porque, por exemplo, uma banda que surgiu de Arrocha há dois anos e saiu de R$ 50 mil para R$ 800 mil, fez um acordo e veio para R$ 700 mil”, destacou.

Para essa comparação, o artista cita o caso do cantor Flávio José, um dos principais nomes do forró tradicional, que ficou no centro das discussões sobre reajuste de cachê. Del afirma que o episódio evidencia a necessidade de valorizar os artistas que representam a identidade do São João.

“Flávio José, que tem 50 anos de carreira, viu que a estrutura dele estava muito aquém, o valor dele estava muito aquém, e resolveu ajustar o preço dele. E eu acho mais do que justo que Flávio José cobre os R$ 350 mil dele para fazer o show”, explicou.

“Por conta de tudo que a gente está vivendo dessa discussão da desvalorização dos nossos grandes representantes, eu fiquei torcendo para que houvesse um desfecho positivo”, finalizou.



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