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Análise: Bolsonaro afastou Mourão do seu “núcleo duro”

Para a analista da CNN Jussara Soares, a relação entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu vice, o hoje senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), foi marcada por um distanciamento crescente ao longo do mandato.

Jussara observa que Mourão já não fazia parte do “núcleo duro” de Bolsonaro há muito tempo, questionando inclusive se alguma vez o militar realmente integrou esse círculo. A analista destaca que a relação entre os dois sempre foi difícil e distante, mesmo durante a campanha eleitoral de 2022.

Na ocasião, Mourão não concorreu na chapa de Bolsonaro. O candidato a vice-presidente foi o ex-ministro Walter Braga Netto.

 

Divergências e desconfiança

Ainda na transição de governo para a volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto, Bolsonaro expressava o desejo de que Mourão evitasse declarações públicas.

As frequentes manifestações divergentes de ambos foram minando a confiança mútua. Mourão, conhecido por seu estilo franco, nunca se furtou a expressar suas opiniões, o que desagradava o ex-presidente.

A distância entre os dois era evidente na dinâmica do governo. Mourão não era visto no Palácio da Alvorada e não era convocado para participar das reuniões mais importantes no Palácio do Planalto.

Esse afastamento explica, segundo a analista, porque Mourão afirma não ter tido conhecimento de nenhuma tratativa ou reunião relacionada a possíveis rupturas institucionais.

Depoimento e lealdade institucional

Em seu depoimento recente, Mourão negou ter sido monitorado por militares, contradizendo alegações feitas na delação premiada do ex-ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cid.

O ex-vice-presidente afirmou que, se tivesse algum encontro com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele mesmo informaria a Bolsonaro, enfatizando: “Não temos nada a esconder, não somos dois bandidos.”

A analista complementa que a prova mais evidente do afastamento entre Bolsonaro e Mourão foi a decisão do então presidente de não escolher o general como seu vice na campanha de 2022, optando por Walter Souza Braga Netto, atualmente envolvido em investigações da suposta trama golpista e preso desde dezembro do ano passado.

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