Sem cor, sem cheiro e sem fazer barulho, a eletricidade faz parte da rotina, e justamente por isso pode esconder perigos que muitas vezes passam despercebidos. Na Bahia, acidentes envolvendo choques elétricos continuam fazendo vítimas e reforçam a necessidade de cuidados dentro e fora de casa.
Basta uma tomada, um carregador, uma máquina de lavar ou um fio fora do lugar para transformar uma tarefa cotidiana em uma situação de risco. O problema é que, diferentemente de outros perigos, a eletricidade não avisa quando está por perto. “Energia não tem cor, não tem cheiro e a gente não vê. Não dá para menosprezar o risco”, alerta Rosy Santos, gerente de Saúde e Segurança da Neoenergia Coelba.
E os números de acidentes divulgados pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) comprovam isso. Segundo o balanço do ano passado, Salvador, Feira de Santana e Porto Seguro aparecem entre os municípios baianos com o maior número de registros de acidentes envolvendo choque elétrico, com 24, 16 e 14 ocorrências, respectivamente. Desde 2024, o estado também se destaca no cenário nacional, ficando à frente no ranking.
O perfil das vítimas também chama atenção. Segundo o engenheiro eletricista e diretor executivo da Abracopel, Edson Martinho, os homens são os mais afetados pelos acidentes elétricos de maneira geral. No ambiente doméstico, porém, as mulheres aparecem com maior frequência entre as vítimas.
Para o especialista, uma das razões está no tipo de atividade realizada e na exposição maior dos homens a trabalhos envolvendo instalações, manutenção e rede elétrica. O alerta, portanto, não é para ter medo da eletricidade. É para respeitá-la. “Não existe eletricidade segura quando a gente não conhece os riscos. Qualquer tensão pode ser perigosa”, reforça Martinho.
O celular é um exemplo. Continuar usando o aparelho enquanto ele carrega pode parecer banal, mas a prática deve ser evitada, segundo especialista da Neoenergia Coelba.
“Quando a gente fala de celular ou computador, não dá para usar durante o carregamento. Também não pode ficar sobre a cama, de forma alguma, ou embaixo do travesseiro, por causa do aquecimento”, explica Rosy Santos.
A orientação é usar carregadores e cabos originais e evitar acessórios de procedência duvidosa. Falhas no carregador, tomadas sobrecarregadas ou cabos danificados podem causar aquecimento, choque elétrico e até incêndios.
Água e eletricidade exigem atenção redobrada. Como a água facilita a passagem da corrente elétrica, aumenta o risco de choque. Por isso, equipamentos elétricos não devem ser manipulados com mãos ou pés molhados, nem usados próximos a locais onde possam ter contato com água.
“Com eletricidade, a gente não pode dizer o que é menos ou o que é mais perigoso. Água no meio do caminho é um problema, porque é altamente condutora de eletricidade. Sempre esteja calçado, nunca com os pés descalços”, alerta Rosy.
A recomendação vale até para situações simples, como estender roupas perto de equipamentos elétricos. Antes de mexer em qualquer aparelho, é preciso desligá-lo.
“Se por acaso tiver algum vazamento de rede elétrica no equipamento, esteja sempre calçado e mantenha o equipamento desligado”, orienta a gerente.
Eletrodomésticos como máquinas de lavar também aparecem com frequência nas estatísticas de acidentes elétricos.
“Os acidentes com máquina de lavar são recorrentes. Todo ano tem pelo menos uma meia dúzia de mortes que acontecem”, afirma Edson Martinho.
A atenção deve ser redobrada diante de fios desencapados, sinais de aquecimento, mau funcionamento ou qualquer indício de fuga de corrente. Manutenções improvisadas também podem transformar um problema aparentemente pequeno em um acidente fatal.