“O paciente apresenta uma agitação motora constante, com movimentos repetitivos e involuntários, como sentar e levantar, caminhar, pular, saltitar, elevar e abaixar os braços, pegar e puxar objetos. Essa condição resulta de um desequilíbrio bioquímico no cérebro, especificamente entre os neurotransmissores que regulam o movimento, como a dopamina”, detalhou.
A especialista esclareceu que a principal causa da condição é o uso de medicamentos antipsicóticos, que “induzem essa desregulação no sistema dopaminérgico cerebral”.
Simone Amorim também explicou como é feito o tratamento da acatisia. “A abordagem mais eficaz é a identificação e a suspensão do medicamento causador, com redução gradual da dose, quando possível. Medicamentos como alguns antidepressivos, certas vitaminas, betabloqueadores e agentes anticolinérgicos podem ser utilizados para atenuar os sintomas. No entanto, a remoção da medicação responsável pela síndrome permanece a estratégia terapêutica primordial”, disse.
Já o médico psiquiatra Adiel Rios, membro titular da ABP, afirmou que a acatisia pode ser confundida com ansiedade intensa. “Mas a acatisia é outra coisa. É como se o corpo fosse invadido por uma energia inquieta, desconfortável e impossível de ignorar. A pessoa sente que precisa se mexer o tempo todo. Ficar parada se torna quase doloroso. Não é escolha. Não é drama. É um desajuste químico real no cérebro.”
“Para entender isso, imagine que o cérebro funciona como uma orquestra extremamente sofisticada. Cada neurotransmissor é um instrumento. A dopamina é um dos principais maestros do movimento e da motivação. Ela ajuda a regular o ritmo do corpo, a sensação de estabilidade e a capacidade de permanecer em repouso quando necessário. Os receptores de dopamina, especialmente os chamados D2, são como fechaduras nas quais essa chave química se encaixa. Quando certos medicamentos bloqueiam essas fechaduras, a dopamina perde parte de sua capacidade de organizar o movimento. É como se o maestro saísse do palco de repente. A orquestra continua tocando, mas perde a harmonia. O resultado é um ruído interno que se traduz como inquietação intensa”, completou o especialista.
O psiquiatra destacou a importância do diagnóstico precoce. “A acatisia não é ansiedade comum. Ela costuma surgir dias ou semanas após iniciar ou aumentar a dose de um medicamento. Quando identificada rapidamente e tratada de forma adequada, o prognóstico costuma ser bom. A maioria das pessoas melhora significativamente após o ajuste terapêutico. Quando ignorada, pode gerar sofrimento intenso, abandono de tratamento e até risco comportamental.”
“A experiência relatada por Monica Iozzi trouxe visibilidade a algo que muitas pessoas enfrentam em silêncio. O cérebro é um sistema de equilíbrio fino. Pequenas alterações em receptores microscópicos podem produzir impactos gigantes na experiência humana. Entender isso não apenas reduz o estigma, mas também empodera pacientes e familiares. Informação correta transforma medo em compreensão e sofrimento em ação terapêutica adequada”, concluiu Adiel Rios.