• Home
  • Artigos
  • A via-crúcis masculina no shopping. A culpa de São Valentim e de um publicitário

A via-crúcis masculina no shopping. A culpa de São Valentim e de um publicitário

Lá garantem os historiadores – esses que se não sabem às vezes inventam – que o Dia dos Namorados nasceu por causa de São Valentim, um santo que realizava casamentos escondidos num tempo em que um certo imperador romano não tendo mais o que fazer ficava a implicar com a vida amorosa aleia, coisa mais feia, diga-se de passagem. Tenho a opinião que o santo devia ter algum tipo de acordo com o comércio local de Roma, cara esperto que decidira do alto da sua santidade ganhar uns trocados infernizando a vida dos homens em certa data do ano.

Chega o mês de junho e o cara já sai do prumo. O que comprar para uma mulher? Aí a senhora lendo este treco aqui diz:

Tudo sobre Artigos em primeira mão! Entre no canal do WhatsApp.

– Que cronista mais insensível.

Sou não, minha senhora. É que a maioria dos homens – e nem preciso quantificar numa pesquisa do velho Ibope – para saber que enquanto mulher tem sensibilidade para descobrir o que dar de presente para um homem, esse se sente um ser limitado, por que não dizer, inferiorizado por não ter o insight feminino.

Jolivaldo Freitas é escritor e jornalista
Jolivaldo Freitas é escritor e jornalista – Foto: Divulgação

Aliás, o Dia dos Namorados no Brasil nem nasceu por inspiração celestial e muito menos levado pelo romantismo exacerbado. Foi justamente um homem que criou em 1949. O publicitário João Doria, a pedido de uma rede de lojas que enfrentava uma queda nas vendas no mês de junho sacou a jogada comercial. A ideia era simples: se maio tinha o Dia das Mães e agosto teria o Dia dos Pais, por que não inventar uma data para movimentar o comércio? Nada como o dia 12 de junho, véspera de Santo Antônio, o famoso santo casamenteiro. O amor ganhou sua data e os lojistas, uma temporada de vendas. Os homens, mais um motivo para perderem o sono. Mesmo as mulheres ficam apreensivas: “O que será que esse testa di cazzo – como diriam os italianos – vai me dar este ano?”

A ação publicitária deu tão certo que, décadas depois, milhares de brasileiros continuam repetindo o ritual anual sem nem desconfiar que estão participando de uma brilhante estratégia de marketing. Tem sujeito entra no shopping e dá um branco, eu por exemplo que sempre fiquei em pânico e ainda fico. Tem outros que na dúvida – para não ficar com imagem queimada com a namorada – sai a comprar e vai carregando sacolas, parcelamentos em doze vezes e uma leve sensação de que foi atropelado por um caminhão de vitrines. Enquanto isso, os comerciantes observam tudo com a mesma satisfação de um pescador vendo o peixe pular sozinho para dentro do barco.

Está pensando que a aflição masculina termina na compra? O cara passa horas seguintes tentando interpretar expressões faciais, tons de voz e movimentos de sobrancelhas para descobrir se acertou ou se acabou de comprar o presente errado. E assim segue a humanidade: elas esperando romantismo, eles tentando sobreviver, e o comércio comemorando. E no final vem a frase gentil e aguda: “Amor, não precisava…”

————————————————————————————————

Jolivaldo Freitas é escritor e jornalista autor do livro: “Amor Roxo”. Novela sobre a paixão entre Lampião e Maria Bonita.



VEJA MAIS

Holanda e Japão empatam em jogão de quatro gols na Copa do Mundo

Em duelo de possíveis adversários do Brasil no mata-mata, Holanda e Japão fizeram um dos…

Suspeito de homicídio é preso após trocar tiros com policiais na Bahia

Um homem com vasto histórico criminal foi preso em Valença, no baixo sul da Bahia,…

Violência contra idosos

Uma boa oportunidade para tentar reduzir danos produzidos no convívio com grisalhas e grisalhos é…