Ao completar 114 anos de fundação nesta quinta-feira, 15, A TARDEreafirma uma trajetória construída por diferentes gerações, marcada pelo compromisso com a Bahia e pela capacidade de acompanhar as transformações do jornalismo e da própria sociedade. Manter essa história por mais de um século exigiu conciliar a preservação de princípios editoriais com a capacidade de se reinventar diante das mudanças.
Ao longo desses anos, A TARDE integrou o jornal impresso às plataformas digitais e ampliou sua atuação para áreas como rádio, audiovisual, educação, cultura e eventos, como explica o presidente do grupo, João de Mello Leitão.
Fundado em 15 de outubro de 1912 pelo jornalista Ernesto Simões Filho, o jornal nasceu em um período de intensas mudanças políticas e urbanas na Bahia. Mais do que criar um veículo de comunicação, Simões Filho estabeleceu as bases de uma instituição comprometida com as causas do estado, a circulação de ideias e a difusão de informações sobre a realidade baiana, sem perder de vista os acontecimentos do Brasil e do mundo.
A primeira edição já expressava a ambição do fundador de construir um jornal diferente dos que circulavam na época. Em seu editorial de estreia, Simões Filho manifestou o desejo de fazer um jornal “honesto, bom e bem educado”, que conquistasse o apoio dos leitores e fosse digno de sua confiança. A proposta estava associada a uma concepção moderna de imprensa, com destaque para o uso de imagens, títulos evidentes, subtítulos explicativos e seções bem definidas.
A busca por inovação acompanhou o desenvolvimento do jornal desde os primeiros anos. Em 1920, a aquisição de uma máquina de linotipo modernizou o processo de composição e reduziu o tempo de produção. Nas décadas seguintes, novos investimentos ampliaram a capacidade de produção e a qualidade da cobertura jornalística. Durante a Segunda Guerra Mundial, o uso de tecnologias como radiofotos e telefotos permitiu levar aos leitores baianos imagens e informações do conflito em tempo próximo ao dos acontecimentos, consolidando o pioneirismo do periódico no fotojornalismo.
Transformações de Salvador
A história do jornal também se confunde com as transformações de Salvador e com o desenvolvimento da imprensa baiana. Em 1930, A TARDE inaugurou sua primeira sede própria, na Praça Castro Alves, onde permaneceu por 45 anos. Em maio de 1975, transferiu suas instalações para a Avenida Tancredo Neves, no Caminho das Árvores, em uma mudança associada à expansão da cidade e à modernização de seu parque gráfico. A nova sede contribuiu para a consolidação de uma região que se tornaria o principal centro empresarial da capital baiana.
Ao longo de sua trajetória, A TARDE também acompanhou acontecimentos decisivos da vida política, social e cultural da Bahia e do Brasil. Sua atuação se estendeu à articulação de iniciativas importantes para o jornalismo baiano, como a mobilização em torno da criação da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), em 1930.
Para a presidente da ABI, Suely Temporal, um jornal com a longevidade de A TARDE é muito mais do que um veículo de informação. “É um patrimônio da imprensa e da sociedade, um testemunho de diferentes épocas e gerações. Suas páginas documentam fatos, ideias, conflitos e conquistas que ajudam a compreender quem somos e como chegamos até aqui”, afirma.
Como explica Suely, o vínculo com a sociedade, a defesa dos interesses da Bahia e a participação no debate público estão entre os elementos que ajudam a compreender a permanência do jornal ao longo de mais de um século. “Os jornais registram acontecimentos, dão visibilidade aos debates públicos e permitem que as gerações futuras compreendam os desafios, as contradições e as conquistas de cada período. Nesse sentido, veículos centenários, como A TARDE, constituem importantes fontes de pesquisa e documentação da história da Bahia e do Brasil”.
Para o presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, a credibilidade de veículos centenários é construída ao longo do tempo, a partir de sua relação com a comunidade. “Um jornal como A TARDE é um patrimônio da Bahia e do Brasil. Por gerações, um jornal centenário registrou a história de sua comunidade, sofreu com suas tragédias, celebrou suas conquistas, valorizou sua cultura e levou à frente suas reivindicações”, afirma.
A longevidade de A TARDE também coloca o jornal em um grupo restrito da imprensa brasileira. Apenas nove jornais do país têm mais de 110 anos de história: o Diário de Pernambuco, com 200 anos; O Estado de S. Paulo, com 151; A Tribuna, de Santos, com 132; o Correio do Povo, de Porto Alegre, com 131; o Cruzeiro do Sul, de Sorocaba, com 123; o Jornal do Commercio, de Manaus, com 122; o ACidade, de Ribeirão Preto, com 121; A TARDE, com 114; e o Monitor Mercantil, do Rio de Janeiro, com 113 anos. Esses veículos atravessaram gerações e acompanharam transformações políticas, sociais, econômicas e culturais do país, contribuindo para o registro dos acontecimentos e a preservação da memória brasileira.
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Documentação e memória
Hoje, de fato, o acervo de A TARDE reúne registros da vida política, social e cultural da Bahia e do Brasil ao longo desses 114 anos. Jornais, fotografias e documentos preservam parte dessa memória e constituem uma fonte de conhecimento sobre diferentes períodos da história. Criado em 1978, o Centro de Documentação e Memória (Cedoc A TARDE) mantém a coleção de jornais desde a primeira edição, publicada em 15 de outubro de 1912, além de mais de 100 mil pastas de fotografias e outros registros históricos.
Segundo a coordenadora do departamento, a jornalista Andreia Santana, o acervo ultrapassa a memória institucional do jornal e contribui para preservar a história da Bahia. “O Cedoc recebe pesquisadores e estudantes que consultam o acervo para trabalhos acadêmicos desde a graduação até dissertações de mestrado, teses de doutorado, artigos e livros; empresas privadas que desejam identificar elementos da sua história; produtoras de vídeo e agências de publicidade; e, mesmo pessoas físicas, buscam resgatar memórias familiares, sendo um espaço valioso de produção de conhecimento de base histórica”, explica ela.
A educação também integra o compromisso social do Grupo A TARDE. Criado em 1996, o programa A TARDE Educação nasceu com a proposta de utilizar a comunicação como ferramenta de aprendizagem, aproximando a informação do cotidiano escolar e estimulando a leitura, o pensamento crítico e a formação cidadã. “Ao longo desses 30 anos, acompanhamos as transformações da sociedade, da educação e das próprias formas de consumir informação”, explica a gerente executiva Andréa Silveira.
Segundo ela, hoje, o programa reúne ações de formação continuada de professores, produção de conteúdos educacionais, incentivo à leitura e à escrita, concursos culturais e recursos digitais de aprendizagem. “Mais do que acompanhar essas mudanças, buscamos transformá-las em oportunidades para a educação. Nosso compromisso permanece o mesmo desde a origem: utilizar a força da comunicação para ampliar o acesso ao conhecimento e contribuir para uma educação pública cada vez mais significativa e transformadora”, afirma.
Essência mantida
A ampliação da atuação do Grupo A TARDE nas áreas de cultura, educação e memória não altera sua essência. Para explorar novas possibilidades, é fundamental que a equipe de jornalistas continue concentrada naquilo que o grupo faz há 114 anos: produzir informação de qualidade, como explica a editora-executiva do jornal, Hilcélia Falcão.
“O jornalismo é o principal capital da marca A TARDE, que construiu sua trajetória centenária ancorada na seriedade, no rigor técnico e em uma forte conexão com a identidade baiana”, destaca Hilcélia. “É justamente o fazer jornalístico do Grupo A TARDE que constitui seu principal instrumento de longevidade, a partir da capacidade de se reinventar e de desenvolver novos projetos que dialogam com diferentes áreas do conhecimento, especialmente com a educação”.
Segundo ela, o jornal impresso, um dos principais pilares do Grupo A TARDE desde a fundação, tem buscado conciliar a integração entre as plataformas com a independência na produção de conteúdo. “Temos projetos inteiramente integrados, nos quais os diferentes meios se complementam a partir de suas especificidades, mas também iniciativas independentes, pensadas de acordo com as características e os públicos de cada plataforma”, explica a jornalista.
De acordo com dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC), A TARDE registra circulação média de aproximadamente 77,7 mil assinaturas na edição digital e cerca de 7,2 mil exemplares na versão impressa. “Essa presença nos dois formatos permite atender a diferentes hábitos de leitura, combinando a tradição do jornal com a facilidade de acesso digital”, explica Raoni Oliveira, gestor de Assinaturas e Classificados do A TARDE.
Além das assinaturas, o setor de Venda Avulsa, coordenado por Rogério Santos, tem papel importante na circulação das edições impressas de A TARDE e do jornal MASSA, voltado a outro perfil de público. “Em um cenário de mudanças nos hábitos de consumo de notícias e de crescimento das plataformas digitais, o trabalho exige planejamento e acompanhamento constante dos pontos de venda”, observa Rogério. Segundo ele, entre as estratégias estão identificar locais com maior potencial de público, prospectar novos estabelecimentos, acompanhar os resultados comerciais e desenvolver ações para estimular a compra dos exemplares.