Lesão confirmada deixa técnico italiano em sinuca de bico: cortar Neymar e cumprir com a promessa do “100% fisicamente” ou manter o craque na Copa em um teatro de blindagem?
Contra todas as previsões que eram feitas nas últimas semanas, Neymar foi convocado para Copa do Mundo de 2026. Com a chance de ouro de conseguir sua tão sonhada redenção com o povo brasileiro. No entanto, não era para ele estar 100% fisicamente, seu Carlo Ancelotti? Na manhã desta quinta-feira (28/05), o médico da Seleção Brasileira, Dr. Rodrigo Lasmar confirmou que o jogador tem uma lesão na panturrilha direita que demandará de duas a três semanas de recuperação.
E, segundo o que mesmo Carlo Ancelotti prometeu, o correto seria um corte, uma vez que Neymar sequer tem condições para treinar. Mas agora ficou difícil.
Palavras podem ter seu peso…
Veja bem, não vou entrar no mérito se Neymar deveria ou não ser convocado para a Copa do Mundo. O fato é que ele está lá. No entanto, sua convocação foi sempre colocada em dúvida pelo técnico da Seleção Brasileira por um único aspecto: “Tem que estar 100% fisicamente”.
Reforçando, foi Carlo Ancelotti que afirmou isso. Não uma. Não duas. Nem três. Mas em basicamente todas as coletivas e entrevistas que deu até a convocação da Seleção Brasileira no último dia 18 de maio.
No entanto, na tarde daquele dia, em um evento megalomaníaco, muito mais pensado em marcas e no engajamento do que propriamente no futebol, Ancelotti falou o nome de Neymar na lista dos 26. Sem estar 100% fisicamente…
E nem dá para dizer que foi sem saber do problema físico (mesmo que não soubesse da gravidade). A própria CBF pediu que o craque do Santos realizasse um exame médico na manhã daquela segunda-feira, além de todos terem visto Neymar segurando e sentindo dores na panturrilha direita. E mesmo assim, vendo o palco e a expectativa que havia sido criada, o italiano escolheu entrar em contradição.
Toda a rigidez europeia que demonstrou ao longo de quase um ano virou pó.
A questão física não era o mais importante? Ou o italiano, campeão de 5 Champions Leagues, se viu intimidado pela pressão imposta por todos os milhões de fãs do jogador mais brilhante tecnicamente e midiático do futebol brasileiro nos últimos 15 anos?
E veja bem, é possível e até provável que a lesão confirmada, com tempo de recuperação de duas a três semanas, não seja um grande dificultador a participação de Neymar na Copa. Mas Ancelotti tem que entender que as palavras e promessas têm um peso.
Neymar deixou de ser apenas um jogador de futebol e até mesmo uma celebridade. Hoje é uma ideologia, uma forma de se enxergar a realidade do futebol e do próprio país. Tudo o que se fala a seu respeito, ainda mais por uma pessoa do tamanho de Carlo Ancelotti será lembrado e repercutido.
Convocação de Neymar é escudo fácil
Convocá-lo ou não convocá-lo sempre foi uma escolha de Minerva, todos sabiam disso. E, para ser bem sincero, eu não gostaria de estar no lugar do “Mister”. Mas, ao não cumprir a promessa de não convocá-lo se não estivesse “100% fisicamente”, Ancelotti passa a impressão de que a convocação do camisa 10 servirá apenas de escudo.
Afinal, é confortável para o “Mister”. Antes, a Copa de 2026 era tudo que o técnico tinha para mostrar pela Seleção Brasileira. Se perder sem Neymar convocado, o mundo cairá em suas costas. Perder com Neymar, provavelmente será “poupado” de críticas.
Mas agora, com contrato até 2030, a convocação de Neymar para 2026 pode servir como um excelente escudo. Se o Brasil perder a Copa com Neymar (mesmo lesionado), Ancelotti poderá botar na conta muito bem da falta de tempo e do trabalho e no calendário que machucou alguns de seus melhores jogadores como Estêvão, Militão e Rodrygo (e o próprio camisa 10). O resultado será uma mídia e uma torcida mais “empática” ao seu trabalho.
Ou seja, as coisas “podem dar errado”, uma vez que o ciclo mais importante para Ancelotti é o de 2030. Um corte de Neymar no grupo e uma possível (e até provável) derrota na Copa de 2026 tornaria ciclo até 2030 um inferno. O próximo empate. A próxima derrota. Deixariam o italiano próximo da demissão.
“Mas a CBF não faria isso”. Não se engane. A CBF ouve o som das redes, vê os números do engajamento. E também ouve o boleiros e técnicos compatriotas.
Todos lembram do episódio patético envolvendo Oswaldo de Oliveira e Emerson Leão em um congresso de técnicos na sede da CBF, quando desdenharam de estrangeiros no Brasil na frente. Um ato de ódio, xenofóbico.
Agora, se você, caro leitor, pensa que a classe futebolística brasileira pensa diferente dos dois, você está muito enganado… Eles só não tiveram a coragem para a falar. Ou Ancelotti ainda não tenha dado o escorregão que faltava.
Só espero que a convocação de Neymar tenha sido feita realmente por motivos técnicos e que sua possível permanência no grupo tenha uma finalidade dentro do campo e não fora dele.
Senão será só mais uma grandiosa jogada de marketing assim como a protagonizada no Museu do Amanhã durante a convocação da Seleção Brasileira no último dia 18 de maio.