O que se percebe é que o governo petista foi “fatiado”, com a distribuição de cargos focada mais em atender interesses políticos do que em beneficiar o município. Essa divisão não visa fortalecer a administração, mas sim consolidar espaços de poder entre os aliados, criando um cenário de insatisfação até mesmo dentro do grupo caetanista
Ao iniciarmos uma análise sobre a quarta gestão de Caetano, não nos propomos a avaliar sua administração do ponto de vista técnico ou de políticas públicas, até porque seria injusto cobrar de uma gestão com apenas 17 dias de governo. Contudo, já podemos observar aspectos relevantes na composição do governo, que revelam uma gestão fragmentada e marcada por interesses políticos que parecem se sobrepor às reais necessidades da população de Camaçari.
O que se percebe é que o governo petista foi “fatiado”, com a distribuição de cargos focada mais em atender interesses políticos do que em beneficiar o município. Essa divisão não visa fortalecer a administração, mas sim consolidar espaços de poder entre os aliados, criando um cenário de insatisfação até mesmo dentro do grupo caetanista.
Entre os protagonistas desse processo estão o vereador Tagner Cerqueira, pré-candidato a deputado estadual, e a deputada Ivoneide Caetano, que, segundo informações, goza de grande influência na tomada de decisões. Ivoneide, além de ser a primeira-dama, é a figura mais forte do governo. Ela exerce um poder de veto, e todos os nomes passam por sua aprovação, frustrando diversas indicações de vereadores. De acordo com relatos, nada passa pelo radar de Ivoneide sem seu aval. Ela atua como uma espécie de “procuradora-geral” ou “controladora do município”, interferindo em nomeações e contratos de empresários. Essa postura tem gerado questionamentos sobre quem, de fato, está à frente do comando da cidade: Caetano ou Ivoneide?
A insatisfação entre os aliados é crescente. “Quem manda é Caetano ou Ivoneide?”, questionou um apoiador do governo, em tom de descontentamento. Outro aliado, igualmente insatisfeito, foi ainda mais incisivo: “Nós elegemos foi Caetano, e não Ivoneide.”
Diante desse cenário, fica a pergunta: até quando as prioridades políticas irão se sobrepor ao compromisso de governar para todos? A população de Camaçari merece mais do que um governo fragmentado e pautado em disputas internas. Merece uma gestão unida, comprometida com o desenvolvimento e com o bem-estar de todos os cidadãos.