Pode parecer absurdo atribuir a escolhas pessoais a morte ao volante ou ao guidão, mas basta monitorar os condutores para confirmar a preferência pelo risco.
Nesta Semana Nacional do Trânsito, o Detran volta a intensificar ações educativas, palestras e atividades com jovens e motociclistas, como em todos os anos.
São iniciativas importantes, que precisam ser acompanhadas de fiscalização mais intensa, especialmente no interior, onde a taxa de mortes é o dobro de Salvador.
Considerando o cenário nacional, enquanto o Brasil registrou queda de 12,8% entre 2010 e 2024, entre os baianos as ocorrências aumentaram 18% no mesmo período.
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O dado pode ser lido como alerta grave: apesar da Lei Seca, campanhas educativas e ações de fiscalização, o álcool e a direção seguem andando juntos.
O avanço expressivo do número de motociclistas, com crescimento de 62,6%, ajuda a explicar parte do cenário, embora este gráfico apareça em alcance nacional.
Hoje, quase metade das vítimas fatais na Bahia são condutores de motos, usadas em longas distâncias no interior, onde o socorro demora.
A combinação entre baixa frequência de operações da Lei Seca, estradas longas e comportamentos de risco transforma acidentes evitáveis em tragédias anunciadas.
Outro fator decisivo é o peso do ethos – jeito de ser. Mais de 80% das mortes e internações envolvem homens, reflexo da rima pobre masculinidade-velocidade.
A falsa macheza traduz demonstrações de acrasia: incapacidade de resistir, mesmo sabendo os males do álcool e do desprezo por equipamentos de segurança.
Para que campanhas ganhem força, é preciso persuadir esse público, desmontar mitos e reforçar a distinção entre coragem e irresponsabilidade.