O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, apontou em análise feita pelo instituto de pesquisas, a mobilização em massa do eleitor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, como fator de peso para a vitória do petista na eleição do último domingo, 25.
Em relatório divulgado para a imprensa, Roman também sinalizou que os levantamentos feitos pelos diversos grupos de pesquisas ao longo da campanha “subestimaram” a alta de comparecimento dos eleitores nas urnas.
“A desmobilização atípica do eleitorado lulista no 1º turno gerou dúvidas sobre o padrão de comparecimento no 2º. Mesmo com métricas indicando aumento de engajamento e mobilização, era difícil aferir a magnitude exata. Como a surpresa do 1º turno tinha sido a desmobilização, parecia razoável considerar que ela se repetisse”, destacou o CEO da AtlasIntel no relatório.
Segundo Roman, uma pesquisa de intenção de voto tem capacidade de avaliar dois pontos: preferência do eleitor e seu comparecimento às urnas.
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O segundo ponto, entretanto, não pode ser estimado em um exercício “puramente estatístico”.
“Mesmo com métricas indicando aumento de engajamento e mobilização, era difícil aferir a magnitude exata. Como a surpresa do 1º turno tinha sido a desmobilização, parecia razoável considerar que ela se repetisse”, pontuou.
Avaliação do 1º turno
Na avaliação de Andrei Roman, o desempenho de Lula no primeiro turno se explica a partir de um “voto de punição”, agravado por possíveis erros na campanha eleitoral.
“Na nossa leitura, foi um voto de punição a um governo mal avaliado, agravado pela campanha. Os eleitores que saíram eram em boa parte os críticos, os independentes e os mais conservadores que apoiaram Lula em 2022 como alternativa ao Jair Bolsonaro e que o governo nunca conseguiu manter. Muitos deles não migraram para Flávio por convicção”, afirmou o analista político, que completou.
“Uns ficaram em casa. Outros votaram nele mais por decepção com o governo do que por entusiasmo com a candidatura”, explicou.
Roman ainda citou a insistência da campanha de Lula em alguns pontos. São eles:
- Terras raras;
- Pix;
- Fim da escala 6×1.
- Já Flávio Bolsonaro focou em outros temas, como:
- Segurança pública;
- Corrupção;
- Custo de vida.
Mobilização histórica no 2º turno
Andrei Roman frisou a mobilização histórica em torno da candidatura de Lula no segundo turno. Todo o movimento resultou na queda da abstenção entre os eleitores.
O CEO da AtlasIntel ainda tabelou as mudanças de comportamento dos eleitores entre os dois turnos.
- O comparecimento cresceu 3,0 milhões de eleitores, contra 570 mil em 2022.
- Lula ganhou 10,4 milhões de votos, mais de três vezes o ganho de 3,1 milhões em 2022.
- O Flávio ganhou 3,7 milhões, cerca de metade dos 7,1 milhões do Jair Bolsonaro em 2022.
- Os candidatos eliminados no 1º turno tiveram 9,3 milhões de votos, contra 9,9 milhões em 2022.
- Brancos e nulos caíram 1,8 milhão.
- A abstenção caiu nos sete tipos de cidade, mais no Rio de Janeiro e em São Paulo (3,1 p.p.).
- Por região, só subiu no Norte (+1,8 p.p.), como em 2022.
“A abstenção caiu 1,9 p.p. entre os turnos, de 21,1% para 19,2% do eleitorado. Desde a redemocratização, ela tinha subido entre os turnos em todos os 2º turnos presidenciais de 1989 a 2018, de 1,0 p.p. a 3,4 p.p. A eleição de 2022 quebrou o padrão, com uma queda de 0,4 p.p. A queda de 2026 foi muito maior”, explicou.