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Com Lula reeleito, o que esperar da economia para os próximos 4 anos?

Em uma virada histórica de votos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo, 25, como presidente da República, tornando-se, aos 80 anos, o chefe de Estado mais velho e duradouro na história do Brasil.

Eleito presidente nos anos de 2003 a 2011 e 2023 a atualmente, com 51,79% dos votos, Lula construiu uma jornada política voltada à defesa dos direitos dos trabalhadores; à ampliação de políticas sociais; ao combate à miséria e à fome; e à participação do Estado na promoção do desenvolvimento econômico.

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Na área econômica, o chefe de Estado foi responsável pela:

  • Criação do Minha Casa, Minha Vida, programa habitacional em 2009
  • Novo PAC, programa de investimentos entre estados e municípios, lançado em 2023,
  • Valorização do Salário Mínimo, em 2026;
  • Desenrola Brasil, para a renegociação de dívidas, criado em 2023.

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Os próximos quatro anos, entretanto, serão marcados por cenários econômicos adversos para o Brasil, principalmente pelas perspectivas econômicas futuras marcadas pela desaceleração do crescimento, necessidade de ajuste fiscal rigoroso e inflação pressionada.

Oportunidades ou dificuldades: o que apontam os especialistas?

De acordo com a economista Juliana Ianhz, apesar de uma eleição polarizada e acirrada, enfrentada entre o Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), a reeleição do petista reduz a incerteza econômica do país, e os próximos quatro anos podem ser marcados por oportunidades comerciais ao mesmo tempo em que dificuldades econômicas podem driblar essas perspectivas.

“Todo mundo sabe que o Lula vai seguir a mesma cartilha do terceiro mandato. É um governo que vai continuar gastando, que vai continuar tendo as mesmas orientações fiscais. A gente continua sujeito às condições financeiras do resto do mundo. A evolução da economia chinesa e o preço das commodities, entretanto, continua igual, podendo ter oportunidades se o resto do mundo crescer, mas a gente pode ter dificuldades se o crescimento mundial ficar mais lento”, disse ela.

Controle da dívida ainda é conflitante

A especialista acredita que um dos principais pontos críticos do governo Lula está relacionado à política fiscal, pressionando a estabilização da dívida pública brasileira que alcançou R$ 9,29 trilhões em agosto, e que cresce ainda mais devido às altas taxas de juros.

“O câmbio fica nessa situação muito mais vulnerável, os investimentos ficam prejudicados, e o crescimento econômico é o segundo ponto que precisa de bastante preocupação. Para que ele continue fazendo tudo que ele faz e o que ele prometeu, que é um gasto contratado elevado, ele precisa ter dinheiro que vem necessariamente do crescimento econômico”, explica ela.

Caso o controle fiscal não seja resolvido com regras mais rígidas, a especialista aponta que os próximos quatro anos, podem ser marcados por alta inflação que resultará em taxas de juros maiores, além de impactos nos principais pontos econômicos prometidos por Lula, como o Novo PAC, renegociação de dívidas, política de transição energética.

“A prioridade que o governo deve fazer e a manutenção dos investimentos para benefícios sociais, com a intenção de manter a demanda de consumo das famílias brasileiras e o aquecimento do investimento público em infraestrutura e no PAC, a fim de estimular a indústria através de modernização, digitalização, mas isso é muito mais difícil, especialmente num cenário de insegurança econômica e fiscal”, continuou ela.

Mercado aberto, mas arriscado

O Brasil é marcado por parcerias comerciais importantes, principalmente no setor de agronegócio e industrial, e é essa posição que torna o campo de oportunidade para o país mais atrativo para a expansão de vendas para o mercado internacional. Entretanto, o terreno pode não estar preparado para receber o tamanho da oportunidade.

“A gente tem espaço para atração de investimentos, especialmente para energia renovável, para indústria extrativista, biocombustíveis, mas isso vai exigir previsibilidade regulatória, um ambiente de negócios mais seguro, infraestrutura e capacidade de cumprir padrões internacionais, e o Brasil não tem conseguido entregar isso”, aponta ela.

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Juliana Ianhz explica que nos últimos quatro anos de governo Lula, o Brasil não conseguiu alinhar as mudanças necessárias para fornecer essas frentes, e que encontrará um caminho mais difícil para alinhar esse mercado.

“Qual vai ser o tamanho da capacidade de conseguir fazer ajustes que são caros socialmente, mas que são importantes para conseguir alinhar as coisas?”

A bola da vez deve ficar por conta dos investimentos em transição energética brasileira, afinal, o Brasil tem um dos sistemas energéticos mais limpos do mundo, tendo mais de 80% da eletricidade gerada oriundas de fontes renováveis, de acordo com dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI).

Qual deve ser a prioridade do governo?

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que a meta fiscal do Brasil deve ser ajustada no novo mandato, e que o Estado não é um bom “executor”, mas pode ser um bom indutor na economia. Ainda afirmou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) concomitante a uma redução no ritmo das despesas pode melhorar a relação dívida/PIB.

“Nós vamos fazer ajuste fiscal. Nós vamos fazer em cima de desperdício, privilégio. Mas mantendo os ganhos da população trabalhadora, da classe média”, disse Alckmin

Para a economista Juliana Inhaz, todavia, o problema fiscal deve ser “prioridade número zero” do governo para que haja segurança, sustentabilidade e previsibilidade dos resultados das metas fiscais

“É preciso um plano fiscal crível, executável, com metas executáveis, que conseguisse entregar um resultado primário sustentável, com previsibilidade, com uma reforma tributária implementável e com resultados factíveis, que a gente conseguisse inclusive direcionar um tanto do financiamento público para projetos de aumento de produtividade, e políticas sociais compatíveis com cenário de estabilidade macroeconômica, em um curto prazo.

“As promessas de campanha vão sair caro para o governo e a restrição orçamentária vai ser um problema, porque a gente não vai ter dinheiro para fazer tudo o que foi prometido e a conta vai vir no longo prazo. A gente não vai, talvez, sentir tanto os efeitos desse problema fiscal neste novo mandato de Lula, talvez a gente sinta realmente os efeitos mais lá pra frente”, continuou ela.



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