O caso Ana Clara se tornou um dos assuntos de maior interesse público após o debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band neste domingo (18). A discussão trouxe novamente à tona a morte de uma menina de cinco anos durante uma ação da Polícia Militar no Rio de Janeiro, em 2021, e a atuação do senador na defesa do policial acusado pelo disparo.
Na manhã desta segunda-feira (19), o caso apareceu entre os assuntos mais pesquisados no Google Trends no Brasil. De acordo com o levantamento do portal Congresso em Foco, a expressão relacionada a Flávio Bolsonaro e Ana Clara registrou forte crescimento nas buscas.
Como Ana Clara morreu?
Ana Clara Gomes Machado tinha cinco anos quando foi atingida por um disparo de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A criança brincava na porta de casa com o irmão, de dois anos, quando foi baleada. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o disparo fatal foi efetuado pelo então cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli durante um patrulhamento na região. O policial foi acusado de homicídio com dolo eventual, modalidade em que a acusação sustenta que o agente assumiu o risco de provocar a morte.
A defesa do PM alegou que ele reagiu a uma situação de confronto com criminosos armados. Desse modo, Delaroli chegou a ser preso, mas passou a responder ao processo em liberdade no fim de 2021. A Justiça determinou que ele fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, decisão contestada pela defesa. Até outubro de 2026, o julgamento ainda não havia ocorrido.
Qual é a relação de Flávio Bolsonaro com o caso?
A ligação do senador com o episódio está relacionada à sua atuação como advogado de Bruno Dias Delaroli. Em 2024, Flávio Bolsonaro integrou a equipe jurídica responsável pela defesa do policial e assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que encaminhou o acusado ao Tribunal do Júri.
O recurso foi rejeitado, e a determinação para que o policial fosse julgado pelo júri popular foi mantida. A atuação de Flávio, portanto, ocorreu no âmbito da defesa jurídica do acusado.
Como o caso voltou à discussão pública?
A atuação de Flávio na defesa do policial voltou a circular durante a campanha do segundo turno, após reportagens sobre o processo e a divulgação do episódio em O Julgamento que Nunca Aconteceu, documentário da série jornalística Revelando, narrado pela atriz Camila Pitanga. A produção aborda a morte de Ana Clara e o andamento da investigação.
O tema ganhou ainda mais visibilidade durante o debate da Band, quando Lula questionou o adversário sobre sua participação na defesa do PM. Ademais, o presidente afirmou que o senador havia atuado para impedir que o policial fosse preso.
“Você era senador da República e foi interferir para que o policial que matou uma criança de 5 anos com uma bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso?”, questionou Lula.
Flávio rebateu a crítica e disse que Lula estava criminalizando o exercício da advocacia, além de tratar o policial como culpado antes do julgamento.
“Você não pode criminalizar a advocacia, Lula. Nem teve julgamento, você já condenou o cara”, disse.