Comece por um número: entre R$ 120 e R$ 141 bilhões. Segundo estudo da FEA/USP, foi o quanto as apostas on-line retiraram do consumo em 2025, algo próximo de 1% do PIB. Você conhece alguém que “só ia apostar um pouquinho”?. Quase todo mundo conhece.
Nesse cenário, a Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, proibiu as apostas de quota fixa no país, e os sites e aplicativos tiveram de sair do ar a partir de 6 de outubro. Na qualidade de contador, pergunto: o que fica no caixa?
O principal ganho é o dinheiro que volta para as famílias. A CNC estima que o varejo deixou de faturar R$ 103 bilhões em 2024 por causa das bets. E a medida chega com o endividamento das famílias em nível recorde.
O governo perde receita: a arrecadação federal com bets foi de R$ 9,95 bilhões em 2025. O setor fala em 31 milhões de apostadores empurrados para o mercado ilegal. No futebol, 13 dos 20 clubes da Série A têm patrocínio máster de bets, que somam cerca de R$ 1,1 bilhão nesta temporada. Além disso, a MP ainda depende do Congresso e pode perder a validade se não for aprovada no prazo.
Sendo assim, o saldo é pautado nos bilhões que deixam de sair das famílias que superam os impostos arrecadados, conclusão compartilhada pelos pesquisadores da USP. Mas o resultado só fecha no azul com fiscalização contra o jogo ilegal, transição para os setores afetados e mudança de hábito dentro de casa.
*André Luis Barbosa (Dedeko) é contador, empresário, professor e vice-presidente de Desenvolvimento Profissional e Institucional do Conselho Regional de Contabilidade do Estado da Bahia