O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, saiu em defesa do Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, após o julgamento da última terça-feira, 15, que poderia render a abertura de uma investigação contra o também ministro Alexandre de Moraes, pelas relações do magistrado com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Em longo texto publicado em seu perfil no X (antigo Twitter), o decano da Corte ainda criticou, de forma indireta, o colega de Corte, André Mendonça, a quem disse ter lucrado politicamente com a crise.
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“Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita […] Ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável. Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, escreveu Gilmar Mendes.
“A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral.”
Gilmar Mendes relembra Lava Jato e Sergio Moro
No mesmo texto, o ministro do STF ainda relembrou a Lava Jato com as ações adotadas por Deltan Dallagnol e Sergio Moro que, segundo Mendes, “transformaram vazamento seletivo em método”.
“Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência”, afirmou Mendes.
“E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método. No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça”, completou o decano da Corte.
Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 17, 2026