A França vive uma das piores crises climáticas da sua história recente, com o balanço provisório de 7.300 mortes em excesso acumuladas no verão de 2026. Apenas entre os dias 3 e 22 de julho, as autoridades sanitárias do país confirmaram 1.243 novos óbitos adicionais registrados em meio a temperaturas extremas.
O cenário é reflexo do início de verão mais quente já documentado na Europa Ocidental, impulsionado pelas mudanças climáticas que acumulam secas Severas e incêndios florestais pela região.
Desde meados de junho, a França metropolitana já contabiliza 52 dias sob o impacto direto de ondas de calor contínuas.
A sequência de picos térmicos alterou a rotina de cidades inteiras e sobrecarregou os sistemas de saúde. O episódio atual de altas temperaturas já é o segundo mais longo já enfrentado pelo país, superado apenas pela marca histórica de 23 dias seguidos atingida em julho de 1983.
O impacto da alta do calor gerou desdobramentos diretos no perfil de mortalidade mapeado pelo Ministério da Saúde francês:
- Forte impacto em idosos: Cerca de 75% dos óbitos em excesso registrados em julho foram de pessoas com 75 anos ou mais;
- Ampla faixa etária: A elevação da taxa de mortalidade também afetou pessoas em todas as faixas a partir dos 45 anos;
- Alta em domicílios: Embora asilos e hospitais tenham registrado picos de atendimento, a maioria das mortes adicionais ocorreu na casa das próprias vítimas.
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Pior do que o calor de 2003
As 1.243 mortes notificadas no episódio de julho somam-se a outros 5.764 óbitos computados na onda do fim de junho — período que apresentou intensidade superior ao histórico trágico de agosto de 2003, quando 15 mil pessoas morreram na França.
“Trata-se de um monitoramento contínuo de mortalidade por todas as causas enquanto o país atravessa episódios críticos e sequenciais de calor”, sinalizou em nota a agência de saúde Santé Publique France.
Antes do pico do verão, um primeiro evento de calor extremo registrado no final de maio já havia deixado 300 mortos. O Governo francês mantém o estado de alerta máximo na infraestrutura hospitalar e prevê divulgar o balanço consolidado de vítimas da temporada no mês de outubro.