O Brasil deixou de integrar o ranking dos 20 países com mais crianças sem vacinação, após reduzir esse número em 86%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgados na última terça-feira, 14.
O resultado colocou o país entre os maiores destaques mundiais na recuperação da cobertura vacinal infantil. O levantamento aponta que o Brasil reduziu expressivamente as chamadas “crianças zero-dose”, ou seja, aquelas que não receberam a primeira dose da vacina com componente DTP, representada no país pela pentavalente.
Este imunizante protege os menores contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b (Hib), bactéria responsável por doenças graves, como meningite e pneumonia.
Segundo a OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC), o número de crianças zero-dose no Brasil nos últimos anos foram:
- 2025: 50 mil
- 2024: 255 mil
- 2023: 360 mil
Entenda por que o número melhorou
As organizações atribuem o resultado ao aumento da cobertura vacinal e aos aprimoramentos no sistema público de registro e divulgação das informações sobre imunização, tornando os dados mais precisos e completos.
Entre as estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde em parceria com estados e municípios estão:
- Intensificação das campanhas de vacinação, com a retomada dos dias de mobilização;
- busca ativa de crianças com esquemas vacinais incompletos;
- ampliação da vacinação em escolas;
- fortalecimento da rede de salas de vacina;
- melhoria dos sistemas de informação do Programa Nacional de Imunizações (PNI);
- monitoramento contínuo das coberturas vacinais em todo o território nacional.
Leia Também:
Mais de 13 milhões de crianças seguem sem nenhuma dose de vacina no mundo
No cenário mundial, a recuperação da vacinação infantil ainda é lente. Dados da WUENIC apontam que, 13,5 milhões de crianças permaneceram sem receber a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) em 2025.
Outros 7,3 milhões iniciaram o calendário vacinal, mas não concluíram o esquema recomendado. Como consequência, 57 países registraram surtos importantes de sarampo ao longo do último ano.
O relatório revela que, aproximadamente 116 milhões de crianças, o equivalente a 90% dos bebês nascidos em 2025, receberam ao menos uma dose da vacina contra DTP. Já 110 milhões (85%) completaram o esquema de três doses. Apesar da melhora em relação ao ano anterior, a cobertura global permanece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19.
Entre os 195 países avaliados, apenas 30 conseguiram ampliar suas coberturas vacinais desde 2019, enquanto 65 permaneceram estagnados ou apresentaram retrocessos. O Brasil está entre os 17 países que registraram aumento superior a cinco pontos percentuais na cobertura da primeira dose da vacina contendo DTP entre 2019 e 2025 e apresentou o segundo maior crescimento no período, de 19 pontos percentuais, atrás apenas da Líbia.
As estimativas da OMS e do Unicef são elaboradas anualmente com base nos dados reportados pelos países e constituem a principal referência internacional para o acompanhamento da cobertura vacinal.