A influenciadora gerou polêmica ao recomendar o tratamento aos seguidores nas redes sociais
Virginia Fonseca movimentou as redes sociais ao aparecer fazendo soroterapia nos Estados Unidos, nesta semana. Após a influenciadora indicar o procedimento aos seguidores, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) emitiu um alerta sobre os riscos do tratamento sem recomendação médica. Porém, o que os especialistas dizem sobre o método adotado pela famosa? Confira!
Para esclarecer o assunto, o nutrólogo Sandro Ferraz faz um alerta crucial: a soroterapia não deve ser tratada como modismo ou solução milagrosa instantânea, mas sim como uma ciência médica altamente personalizada.
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Virginia FonsecaFoto: Reprodução/Instagram @virginia

Virginia FonsecaCrédito: Reprodução Instagram

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Virginia Fonseca estará na Copa do Mundo como enviada do “Domingão com Huck”Reprodução: Instagram/@virginia

Virginia FonsecaFoto: Reprodução/TikTok @virginiafonseca
Segundo o profissional, a indicação para a soroterapia deve partir sempre de uma avaliação médica individualizada. “Ela pode ser considerada quando identificamos deficiências nutricionais, baixa absorção intestinal, estados de maior demanda metabólica, fadiga associada a carências específicas, recuperação pós-operatória, desidratação ou a necessidade de uma reposição mais rápida de determinados nutrientes. O ponto principal é: não deve ser indicada como modismo, mas sim com base na história clínica, exames laboratoriais e um objetivo terapêutico muito bem definido”, disse.
Nem todo o paciente tem indicação para o tratamento. “Pacientes saudáveis, com bons níveis nutricionais e sem queixas específicas, muitas vezes não precisam de reposição endovenosa. Além disso, existem contraindicações e cuidados fundamentais, como no caso de portadores de doença renal, insuficiência cardíaca, alterações hepáticas, alergias, uso de alguns medicamentos e o risco de sobrecarga de nutrientes. A literatura médica reforça que, em pessoas sem deficiência ou condição clínica específica, há pouca evidência de benefício para infusões vitamínicas endovenosas”, destacou.
Sandro explicou como o tratamento funciona no organismo. “Os nutrientes são administrados diretamente na corrente sanguínea através de um acesso venoso. Isso permite uma biodisponibilidade mais rápida, sem depender inicialmente da absorção do trato gastrointestinal. A composição do soro pode variar de forma personalizada conforme a indicação: combinando vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes e outros ativos, sempre respeitando rigorosamente a dose, a diluição, o tempo de infusão e a segurança do paciente.”
Ele destacou que a soroterapia isoladamente não serve para emagrecer o paciente. “Ela pode ser uma ferramenta complementar dentro de um protocolo bem estruturado de emagrecimento, quando existe deficiência nutricional, baixa energia, inflamação, alteração metabólica ou necessidade de suporte para melhorar a adesão ao tratamento principal. No caso da longevidade, também não deve ser vendida como promessa antienvelhecimento. O que constrói longevidade é o conjunto: controle metabólico, sono de qualidade, alimentação, exercício físico, saúde intestinal, equilíbrio hormonal quando indicado, manejo do estresse e correção de deficiências. A soroterapia entra como coadjuvante, nunca como solução principal.”
O nutrologo ressaltou os riscos do uso indevido. “O método tem sido muito associado ao universo estético com promessas de melhora da pele, energia, imunidade e performance. Porém, é fundamental ter responsabilidade médica. Muitos desses benefícios ainda têm evidência limitada quando falamos de pacientes sem deficiência comprovada. Revisões científicas recentes apontam a falta de evidência robusta para o uso indiscriminado de vitaminas endovenosas em pessoas saudáveis, além de possíveis riscos que não podem ser ignorados, como infecções, reações alérgicas, flebite (inflamação da veia), desequilíbrios eletrolíticos e toxicidade pelo excesso de nutrientes”, pontuou.
“Eu utilizo em alguns dos meus protocolos, mas de forma extremamente criteriosa. No meu entendimento, a soroterapia jamais deve ser tratada como um “soro da beleza” ou um “soro milagroso”. Ela é uma ferramenta médica complementar. Eu utilizo-a quando existe indicação clínica clara, quando os exames de sangue e a avaliação integral do paciente mostram essa real necessidade, e sempre inserida dentro de um plano maior de saúde, emagrecimento, performance, longevidade ou recuperação metabólica. O grande segredo está na indicação correta, na individualização absoluta e no acompanhamento médico contínuo”, concluiu Sandro Ferraz.