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Amargosa terceiriza captação com comissão de R$ 1 mi à empresa privada

Enquanto a população de Amargosa começa a ensaiar os primeiros passos de forró para 2026, a Prefeitura Municipal, gestão de Getúlio Sampaio (PT), decidiu inovar na coreografia financeira. Um contrato oficial firmado este mês delega à empresa ‘Peixe Empreendimentos Artísticos Ltda’ a missão de captar patrocínios no setor privado.

O serviço, contudo, vai ter um custo elevado aos cofres públicos: uma “mordida” de 20% sobre cada centavo arrecadado.

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O contrato estabelece um teto ambicioso de R$ 5 milhões em captações. Caso a meta seja atingida, a Peixe Empreendimentos vai embolsar R$ 1 milhão apenas em comissões.

O valor causa estranheza em uma cidade que possui estrutura administrativa própria, com secretarias e departamentos dedicados ao desenvolvimento e à cultura, teoricamente aptos a gerir a marca do São João.

Fiscalização e transparência

Para blindar o acordo de questionamentos jurídicos, o texto contratual exige relatórios periódicos da contratada e veda cobranças acima dos valores de mercado. A fiscalização vai caber à Secretaria de Administração e Finanças, que conferirá se a comissão de 20% corresponde aos depósitos efetuados via Documento de Arrecadação Municipal (DAM).

A empresa atuará sem vínculo empregatício, mantendo a liberdade de um ente privado enquanto detém as chaves da entrada do cofre público junino.

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Tradição comissionada

O que se vê em Amargosa é a consolidação de uma tendência perigosa: a de que a cultura do povo só é viável se for comissionada. Se o “peixe” vai morrer pela boca ou nadar em mar de dinheiro, os relatórios da Secretaria de Finanças dirão.

Subida de gastos

O debate ganhou novos números com a atualização do Painel de Transparência do Ministério Público da Bahia (MP-BA), revelando uma escalada de 204% nos gastos entre 2022 e 2025.

No primeiro ano do recorte, o município aplicou cerca de R$ 2 milhões no evento. Já no último ano, a cifra saltou para R$ 6,1 milhões, posicionando Amargosa entre as 15 cidades baianas com maior investimento no período junino.

O dado que mais chama a atenção de especialistas em gestão pública é a origem dos recursos: do total gasto no último ano, R$ 5,5 milhões (mais de 90%) saíram diretamente do tesouro municipal, com apenas R$ 600 mil oriundos de repasses estaduais.

Pressão no orçamento

O volume de recursos próprios injetados na festa — que contou com 63 atrações — levanta debates sobre a priorização de políticas públicas. Embora o São João seja um motor econômico para o comércio local, o montante investido é visto por críticos como desproporcional para uma cidade que ainda busca soluções para gargalos na saúde e infraestrutura.

A polêmica ganhou um capítulo à parte com a contratação da cantora Simone Mendes por R$ 800 mil. O valor supera o teto de R$ 700 mil estabelecido este ano em um acordo entre o MP-BA e a União dos Municípios da Bahia (UPB), visando justamente evitar o “estouro” de orçamentos municipais com cachês astronômicos.

A reportagem procurou o prefeito de Amargosa, Getúlio Sampaio, e ainda aguarda resposta aos questionamentos.



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