A implementação do sistema Kiss & Fly ainda não teria enviado os documentos necessários para sua regularização mesmo após ter completado um mês de operação nesta quinta-feira, 7.
Segundo fontes consultadas pelo portal A TARDE, estudos de impactos no trânsito, exigidos pela Transalvador, ainda não teriam sido enviados pela Vinci Airports, concessionária que administra o Aeroporto de Salvador.
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O caso envolvendo a implantação das cancelas, inclusive, chamou a atenção do Ministério Público da Bahia (MPBA), inclusive, instaurou um inquérito civil para investigar supostas irregularidades operadas pela concessionária.
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Sem envio
O superintendente da Transalvador, Diego Brito, confirmou que desde o último parecer emitido pela entidade, no mês de abril, a administração do aeroporto da capital baiana não deu retorno sobre os estudos de impacto de trânsito.
Ao A TARDE, Brito contou que, em razão da falta de respostas, eles reforçaram o parecer emitido pela Transalvador, o qual solicitava que a Vinci elaborasse um estudo técnico sobre os possíveis impactos das cancelas do Kiss & Fly sobre o trânsito na região.
O superintendente também explicou que atualmente há um debate se as cancelas implementadas pelo Kiss & Fly estão dentro de um terreno da União ou da prefeitura de Salvador e, em razão disso, ainda é aguardado uma resposta da Procuradoria Geral do Município.
“Elaboramos um despacho para saber se a área era de terreno da União ou do Município. Como não tivemos nenhum retorno, reforçamos nosso parecer para a Procuradoria Geral do Município”, afirmou Diego Brito, Superintendente da Transalvador.
Mobilização dos taxistas
As polêmicas envolvendo o Kiss & Fly vão além da falta de documentação para sua operação. O presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, afirmou que a categoria pode realizar uma paralisação em razão de uma suposta cobrança abusiva dentro do aeroporto.
Segundo o dirigente, a concessionária estaria exigindo R$ 100 mil de caução (de cada cooperativa) e além do pagamento de mais R$ 30 mil por mês. Para Paim, a cobrança dos valores é “absurda” e se trata de uma “expulsão de uma profissão centenária” e afirmou que está dialogando com as autoridades para buscar um entendimento.
“Querem jogar uma profissão centenária fora, querendo cobrar R$ 100 mil reais. Jogando fora a categoria que sempre alimentou as cidades. Estamos dialogando com o município, estamos dialogando também com o órgão público. Se não tiver entendimento, vamos ter que fazer uma mobilização para mostrar que os taxistas estão vivos, né?”, afirmou o presidente da AGT.
Audiência na Alba
O debate sobre as cancelas também chegou na política baiana. No dia 15 de abril, a Comissão de Defesa do Consumidor e Relações de Trabalho da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) aprovou a convocação de audiência pública para discutir a implantação do sistema Kiss & Fly no Aeroporto de Salvador.
“Vamos chamar aqui o Julio Ribas, CEO da VINCI Airports, para que ele nos explique melhor esses valores e tempos do sistema kiss & fly, implantado no aeroporto de Salvador; bem como o aumento de outras tarifas, como a taxa para taxar, as tarifas de hangaragem, entre outras”, destacou o deputado estadual Júnior Muniz (PT), presidente da Comissão.
Para o parlamentar, um dos pontos a ser debatido é o possível prejuízo e a possibilidade de perdas de postos de trabalho para aqueles que trabalham diariamente buscando e levando passageiros no Terminal. O valor da tarifa ainda não foi definido pela concessionária, que anunciou o início da cobrança a partir de junho deste ano.
O que diz a Vinci
No dia 7 de abril, durante o lançamento do sistema Kiss & Fly, o CEO da Vinci Airports no Brasil, Julio Ribas, também se pronunciou sobre as críticas relacionadas ao projeto e aos supostos pareceres técnicos contrários à implantação das cancelas.
Segundo ele, o projeto seguiu todos os trâmites técnicos exigidos e contaria com a documentação necessária já devidamente concluída, reforçando a posição da concessionária de que a implementação do sistema ocorreu dentro das exigências regulatórias aplicáveis.
“Como tudo, foi feito o projeto e estamos chegando agora nessa final. Então, todos os pareceres técnicos necessários, diferente do que foi divulgado, certamente, não por má fé, mas porque às vezes a gente não sabe, né? A gente tem tudo aqui, tem toda a informação, tem todo o dossiê, tudo que foi feito. Nós não somos irresponsáveis”, afirmou o CEO.
A reportagem buscou a assessoria de imprensa do Aeroporto de Salvador para um novo posicionamento, contudo, ela não foi respondida até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) também foi procurada para saber sobre a solicitação do alvará, mas ainda não respondeu.