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Shoppings de Salvador vão fechar mais cedo? Projeto reacende comércio

Um projeto de lei que tramita na Câmara de Salvador promete mexer diretamente na rotina dos shoppings da cidade — e no dia a dia de quem trabalha e consome nesses espaços.

A proposta do vereador Maurício Trindade estabelece que lojas e quiosques funcionem apenas até 21h, de segunda a sábado, e fiquem fechados aos domingos, com exceção de alimentação e entretenimento.

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A medida, que tem como justificativa a segurança e a qualidade de vida dos trabalhadores, reacendeu um debate que já acontece em nível nacional: até que ponto mudar jornadas e horários impacta o funcionamento do comércio?

Resumo sobre Projeto de Lei em Salvador

  • Proposta do vereador Maurício Trindade limita funcionamento de lojas até 21h e fecha aos domingos, exceto alimentação e entretenimento.
  • Mudanças visam segurança e qualidade de vida dos trabalhadores, mas geram preocupação em relação ao impacto sobre o comércio.
  • Lojistas alertam que a redução de horários pode resultar em queda de vendas, aumento de custos e revisões de quadro de funcionários.
  • Trabalhadores apoiam a proposta, argumentando que é uma questão de equilíbrio entre vida pessoal e profissional e justiça social.
  • Estudo indica que alterações podem causar perdas bilionárias no setor, com intensificação do debate nacional sobre jornada de trabalho.

O que muda na prática

Se aprovado, o projeto altera um dos pilares do funcionamento dos shoppings: o horário estendido e a abertura aos fins de semana — justamente quando há maior circulação de clientes.

A proposta prevê:

  • Funcionamento até 21h de segunda a sábado
  • Fechamento das lojas aos domingos
  • Abertura dominical apenas para alimentação e lazer

A ideia, segundo a justificativa, é alinhar o funcionamento à proteção da integridade física, psicológica e social dos trabalhadores.

Salvador Shopping

Salvador Shopping | Foto: Divulgação

Lojistas veem impacto direto e risco de perdas

Do lado empresarial, a reação é de preocupação. O setor argumenta que mudanças bruscas podem afetar faturamento, empregos e a própria sustentabilidade das operações.

Em entrevista ao portal A Tarde, Paulo Motta, presidente do SindlojasBa criticou o avanço das mudanças na jornada e no funcionamento. Para os lojistas, reduzir horários e restringir domingos pode significar queda nas vendas, aumento de custos e, como consequência, revisão de quadros de funcionários.

“Essa legislação é muito absurda, abusiva. Uma proposta para que seja modificada uma legislação de liberdade de funcionamento da liberdade econômica”, declarou.

E critica diretamente propostas que limitam o funcionamento. “É muito lamentável que estamos vivenciando momentos de aborrecimentos”.

“O Sindilojas Bahia tem uma posição muito clara que os impactos seriam muito fortes e vai gerar desemprego e não há como nos adaptarmos a uma nova legislação trabalhista, em que domingo, fecha e seja dia de folga. Nós temos que incentivar o livre comércio, incentivar a abertura das lojas, funcionar 24 horas, respeitando a legislação trabalhista de 8 horas de jornada de trabalho”, disparou.

Paulo Motta também criticou os debates envolvendo o fim da escala 6×1, que tramitam no Congresso Nacional.

“Esse projeto que o governo federal colocou no congresso e com o êxito de eliminar o 6×1, ou 5×2, ou 4×3, isso tudo lamentavelmente deve estar avançando para ser aprovado, porque são projetos a eleitoreiros, não tem nada de proteção do trabalhador que vai ser desempregado, porque as empresas não tem como suportar o custo Brasil”

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Trabalhadores defendem mudança e qualidade de vida

Já para Alfredo Santiago, coordenador jurídico do sindicato dos comerciários de Salvador, a proposta é vista como um passo necessário para equilibrar a relação entre trabalho e vida pessoal.

A entidade defende que o debate vai além da economia.

“A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil não é apenas um debate trabalhista — é, sobretudo, uma questão de justiça distributiva, eficiência econômica e dignidade humana”, afirmou em entrevista ao portal A Tarde.

Para os trabalhadores, a redução do tempo de trabalho e a reorganização dos horários não representam prejuízo.

“A redução da jornada não representa perda, mas sim redistribuição do tempo de trabalho e do valor produzido, corrigindo distorções históricas na relação capital-trabalho”, disse Santiago.

O sindicato também reforça a importância do Descanso Semanal Remunerado (DSR) como direito fundamental, garantindo recuperação física, convivência familiar e equilíbrio social.

Debate local com impacto nacional

Embora o projeto trate diretamente do funcionamento dos shoppings em Salvador, ele dialoga com uma discussão maior que ocorre no país sobre jornada de trabalho.

De acordo com apuração do portal A Tarde, um estudo da Tendências Consultoria, em parceria com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), aponta que mudanças mais amplas na escala podem provocar perdas bilionárias no setor, com redução significativa no faturamento.

A avaliação da entidade é que qualquer alteração precisa considerar a realidade de um segmento que depende de funcionamento contínuo e tem picos de movimento concentrados nos fins de semana.

Dados do setor ajudam a dimensionar o tamanho do impacto. Em 2025, os shoppings brasileiros somaram mais de R$ 200 bilhões em faturamento, com forte concentração de vendas nos finais de semana — justamente os períodos mais sensíveis a mudanças de escala e horário.

A Abrasce avalia que qualquer alteração precisa ser gradual e negociada, especialmente em um setor que depende de funcionamento contínuo e alta demanda em horários específicos.

Shopping da Bahia

Shopping da Bahia | Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

Qual é o principal objetivo do projeto de lei sobre os shoppings de Salvador?

O projeto visa limitar o funcionamento de lojas e quiosques até **21h** de segunda a sábado, e fechá-los aos **domingos** para promover a **segurança** e **qualidade de vida** dos trabalhadores.

Como os lojistas estão reagindo a essa proposta de lei?

Os lojistas expressam preocupações de que a redução de horários resultará em **queda de vendas** e **aumento de custos**, impactando a **sustentabilidade** de suas operações.

O que os trabalhadores pensam sobre a mudança nos horários de funcionamento?

Os trabalhadores apoiam a proposta, argumentando que a **redução da jornada** pode levar a uma melhor **qualidade de vida**, promovendo equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Quais são os horários propostos para o funcionamento das lojas?

Se aprovado, o projeto prevê funcionamento até **21h** de segunda a sábado, com fechamento aos **domingos**, permitindo apenas a abertura de **restaurantes** e locais de **entretenimento**.

Que impactos essa lei pode ter no comércio local e nacional?

Estudos sugerem que a mudança pode resultar em **perdas bilionárias** para o setor, dado que a maior parte das vendas ocorre nos **fins de semana**, horários críticos para shoppings.



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