O deputado estadual Eduardo Salles (PP) alertou para o risco de uma crise no abastecimento de fertilizantes na Bahia após a interdição do Terminal Itapuã, localizado em São Tomé de Paripe, no subúrbio de Salvador. O equipamento teve as atividades suspensas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) no dia 11 de março, após a identificação de níveis tóxicos de nitrato e cobre na água e na areia da região.
O alerta vem em meio a investigações sobre possível contaminação ambiental iniciadas ainda em fevereiro deste ano.
Segundo o parlamentar, que preside a comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo na ALBA, o terminal é responsável por cerca de 70% da entrada de fertilizantes que abastecem a Bahia e o Tocantins. Com a operação interrompida, há preocupação com impactos diretos na produção agrícola, especialmente no oeste baiano, podendo comprometer o plantio da próxima safra.
“Pelas informações que disponho, o cobre veio da Gerdau, que é a proprietária da área e deixou um passivo ambiental que precisa ser resolvido. Mas atualmente o Terminal Itapuã trabalha apenas com fertilizantes que são necessários para a economia baiana”, declarou.
Salles cobrou rapidez dos órgãos ambientais na apuração do caso e a responsabilização dos envolvidos. Para ele, é necessário esclarecer a origem dos resíduos encontrados e, ao mesmo tempo, garantir condições seguras para a retomada das atividades do terminal, a fim de evitar prejuízos à economia.
“Nos defendemos a questão ambiental e quem errou deve ser punido. Mas devemos colocar o porto novamente em funcionamento, com todas as garantias que o órgão ambiental exigir, para que a produção agrícola baiana não seja duramente prejudicada”
Investigação Ambiental
O alerta ocorre em meio ao avanço das investigações sobre um possível dano ambiental na região. Nesta semana, moradores voltaram a registrar a morte de peixes e mariscos na praia de São Tomé de Paripe.
A área segue interditada há mais de um mês, desde que o Inema identificou a presença de substâncias químicas e determinou a suspensão das atividades no terminal. A decisão foi adotada com base no princípio da precaução, diante da presença de líquidos de origem desconhecida em área frequentada por banhistas e pescadores.
Em nota mais recente, o INEMA informou que a interdição permanece em vigor e que as investigações continuam, sem prazo para conclusão.