Presidente defendeu atacante argentino após denúncia de injúria racial e criticou decisão preventiva da Uefa antes de duelo com o Real Madrid
O presidente do Benfica, Rui Costa, se manifestou, nesta terça-feira (24/2), sobre o caso envolvendo Gianluca Prestianni e a denúncia de injúria racial feita por Vini Jr. O dirigente afirmou que não há provas conclusivas contra o jogador argentino, defendeu sua conduta e criticou a suspensão preventiva aplicada pela Uefa, que o impede de atuar na partida de volta dos playoffs da Champions League contra o Real Madrid.
A punição foi determinada pelo Departamento de Controle, Ética e Disciplina da Uefa após a denúncia apresentada por Vini Jr, posteriormente apoiada publicamente por Mbappé, que declarou ter ouvido o adversário chamar o camisa 7 do Real Madrid de “macaco” por cinco vezes. O processo disciplinar segue em andamento, e Prestianni pode receber até dez partidas de suspensão caso seja considerado culpado.
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Vini Jr. e Gianluca Prestianni na partidaReprodução: YouTube/TNT Sports Brasil

Prestianni, argentino do Benfica, cobre a boca com a camisa ao discutir com Vini Jr., que o acusou de racismoReprodução/Jesús Álvarez Orihuela/AS

Vini Jr. critica protocolo antirracismo após jogo do Real MadridFoto: Instagram/@vinijr
Ao comentar o episódio, Rui Costa afirmou: “Não estou em campo para saber o que foi dito ou não dito. Numa situação daquelas, muita coisa é dita. O que acreditamos é na palavra do nosso jogador; mais do que isso, é saber os jogadores que temos em casa. O Prestianni foi classificado como racista, mas é tudo menos racista. Posso garantir”.
O presidente também explicou a decisão de não se pronunciar imediatamente após o ocorrido. “Falo uma semana depois do caso e é fácil de explicar. Informamos os nossos adeptos de todos os procedimentos, defendemos o jogador quando tivemos de defender e não justificava que o presidente falasse todos os dias. Ainda não saiu a sentença real, há uma suspensão, mas não adiantava falar todos os dias de um tema que está em processo. Aguardamos pelo processo”, disse.
Rui Costa ainda questionou a decisão da entidade europeia e citou um lance envolvendo Federico Valverde, do Real Madrid, em disputa com Samuel Dahl.
“Vamos jogar este jogo com todas as nossas armas, esperando poder fazer o nosso trabalho da mesma forma que o adversário o pôde fazer. Entendemos que nada está provado e não se justifica a ausência do jogador neste jogo. Uma coisa não elimina a outra e não queremos usar os outros casos para anular a situação Prestianni, mas não podemos esquecer o que se passou no jogo em casa. Há uma agressão clara do Valverde, que devia ficar de fora deste jogo”, constatou o dirigente.
O episódio ocorreu após Vini Jr marcar o gol da vitória do Real Madrid na partida de ida. O atacante brasileiro comemorou com uma dança próxima à bandeirinha de escanteio e, na sequência, relatou ter sido alvo de ofensas racistas por parte de Prestianni. A Uefa abriu investigação disciplinar, e o jogador do Benfica prestou depoimento na última semana.
No fim de semana, Prestianni não atuou contra o AVS pelo Campeonato Português por cumprir suspensão automática devido ao acúmulo de cartões amarelos. Agora, com a decisão preventiva da Uefa, também está fora do confronto decisivo em Madrid, enquanto o caso segue sob análise das autoridades esportivas.