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Lula destaca soberania e democracia na ONU; relembre discursos anteriores e ações práticas

Desde 1947, o Brasil abre a Assembleia-Geral da ONU; promessas já foram feitas sobre democracia, meio ambiente e combate à fome

Tradicionalmente, desde 1947, o Brasil tem a missão de abrir os debates da Assembleia-Geral da ONU. A tribuna é vista como vitrine internacional e espaço estratégico para projeção de imagem, tanto no exterior quanto internamente. Mas o histórico mostra que, embora os discursos ganhem manchetes, muitas das promessas não se concretizam ou ficam abaixo do esperado.

A seguir, confira o raio X que o portal LeoDias organizou do que os presidentes brasileiros disseram em seus discursos ao mundo e o que de fato se transformou em realidade.

Veja as fotos

Oswaldo Aranha presidiu a 2ª Assembleia-Geral das Nações Unidas na época de VargasReprodução: Arquivo

Reprodução: Facebook/Fernando Henrique Cardoso

FHC em discurso na ONU em 2001Reprodução: Facebook/Fernando Henrique Cardoso

Foto: Ricardo Stuckert

Lula em discurso na ONU em 2009Foto: Ricardo Stuckert

Foto: Agência Lusa

Dilma Rousseff em discurso na ONU em 2015Foto: Agência Lusa

Foto: Alan Santos

Jair Bolsonaro em discurso na ONU em 2019Foto: Alan Santos


Getúlio Vargas

Conforme registros da Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), Vargas defendeu em seu discurso na ONU em 1951 o direito de países em desenvolvimento conduzirem sua própria industrialização, sem depender de imposições externas; e chamou atenção para a importância da soberania energética. Internamente, ele avançou com políticas de base, como a criação da Petrobras para 1953; mas o Brasil permaneceu dependente de capitais externos, conforme analistas, e distante da autonomia pregada no discurso.

Fernando Henrique Cardoso

Os discursos de Fernando Henrique Cardoso na ONU entre 1995, 1997 e 2001 destacaram o compromisso com a democracia, a estabilidade econômica e a defesa ambiental. FHC reforçou também a integração do Brasil ao cenário global. Conseguiu consolidar o Plano Real – criado no governo Itamar Franco, quando FHC era ministro da Fazenda – e ampliar a abertura comercial; mas, segundo especialistas em política externa, deixou a desejar no cumprimento de compromissos ambientais e em reformas estruturais prometidas em fóruns internacionais. Em 1997, FHC também falou sobre Amazônia e sustentabilidade, reforçando compromissos ambientais. Já em seu segundo mandato, em 2001, o discurso foi marcado pelo contexto pós-Guerra Fria e pela necessidade de reformas nas instituições.

Luiz Inácio Lula da Silva

Em seus discursos, Lula defende uma pauta que é seu mote: a criação de um fundo global de combate à miséria e à fome. Além disso, também insistiu na reforma do Conselho de Segurança da ONU, defendendo mais representatividade para países em desenvolvimento, inclusive com o Brasil como candidato a uma vaga permanente. A ideia de maior protagonismo sul-americano foi recorrente: Lula falava em fortalecer o Mercosul e a integração regional. O atual presidente do Brasil conseguiu reduzir a pobreza com programas sociais como o Bolsa Família. No cenário global, conquistou prestígio, mas o fundo contra a fome e a cadeira no Conselho de Segurança nunca saíram do papel, apesar das articulações lideradas pelo Brasil no chamado G4 com Alemanha, Índia e Japão.

No retorno à presidência, nesta semana, Lula destacou no púlpito da ONU a importância da cooperação internacional e do fortalecimento das instituições multilaterais. “A única guerra de que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza”, afirmou. Ele também ressaltou que o Brasil voltou a priorizar a preservação da Amazônia e o combate às mudanças climáticas, além de defender uma saída pacífica para conflitos internacionais, como a guerra na Ucrânia. Desde então, o Brasil recuperou parte do prestígio diplomático e voltou a ocupar espaço de liderança em debates sobre clima e democracia. Mas, Lula ainda enfrenta o desafio de transformar compromissos ambientais em resultados concretos, diante do avanço do desmatamento e de resistências internas no Congresso e no agronegócio.

Dilma Rousseff

Primeira mulher a abrir a Assembleia-Geral, Dilma destacou a necessidade de igualdade de gênero, combate à espionagem internacional após denúncias contra os EUA e defesa da internet livre. Sobre a espionagem entregue por Edward Snowden, ela afirmou que “dados pessoais de cidadãos foram indiscriminadamente objeto de interceptação”, o que qualificou como “grave violação dos direitos humanos e das liberdades civis”. O Brasil liderou debates sobre governança digital, mas perdeu protagonismo no cenário externo em meio à crise política e ao impeachment de Dilma em 2016.

Jair Bolsonaro

No discurso de 2019 em Nova York, Bolsonaro criticou países como Cuba e Venezuela, mencionou ameaças de socialismo e disse que o Brasil “ressurge depois de estar à beira do socialismo”. Ele também afirmou que a ideia de que a Amazônia é “patrimônio da humanidade” era uma “falácia” que tenta instrumentalizar a região, defendendo a exploração da região sob o argumento da soberania nacional. O discurso ampliou o isolamento internacional do Brasil, aumentou a pressão sobre políticas ambientais e prejudicou as negociações climáticas, conforme análise internacional da época.

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