Na denúncia, a empresa concorrente relatou ter tomado conhecimento de um suposto “recolhimento silencioso” de unidades da linha Tixan Ypê Express, circunstância que teria levado ao aprofundamento das análises laboratoriais
A fabricante global Unilever, responsável por marcas como Omo, Confort e Cif, comunicou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à Secretaria Nacional do Consumidor indícios de contaminação microbiológica dos produtos da marca Ypê, fabricados pela Química Amparo meses antes da medida cautelar ser adotada pela agência reguladora.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, a representação foi apresentada em outubro de 2025. No material enviado às autoridades, a Unilever relatou ter detectado a bactéria Pseudomonas aeruginosa/ paraaeruginosa em quatro lotes da linha Tixan Ypê Express. A identificação teria ocorrido após testes próprios e análises conduzidas pelo laboratório Charles River, citado no documento como proprietário de “um dos maiores bancos de dados genéticos do mundo”.
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Imagens do relatório mostram a inspeção sanitária realizada no fim de abril na fábrica da YpêFoto: Reprodução

Imagens do relatório mostram a inspeção sanitária realizada no fim de abril na fábrica da YpêFoto: Reprodução

Imagens do relatório mostram a inspeção sanitária realizada no fim de abril na fábrica da YpêFoto: Reprodução

Reprodução/Divulgação

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Os lotes avaliados correspondiam às versões “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, com validade prevista até junho de 2027. Ainda conforme os registros, a companhia apontou que os itens apresentavam “desvio microbiológico relevante” e mencionou “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.
Em posicionamento oficial, a Unilever declarou que “realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e eventualmente nas demais marcas do mercado. Esta é uma prática comum entre as indústrias do setor. A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas.”
Detalhes apresentados na denúncia
Nos documentos encaminhados aos órgãos de fiscalização, a multinacional sustenta ter ocorrido “identificação genética perfeita” da bactéria nos quatro lotes examinados. O texto afirma ainda que não havia “distancimento genético” entre o DNA encontrado nas amostras e o microrganismo registrado na base de referência do laboratório.
A empresa também relatou ter tomado conhecimento de um suposto “recolhimento silencioso” de unidades da linha Tixan Ypê Express, circunstância que teria levado ao aprofundamento das análises laboratoriais.
De acordo com o material, as novas verificações passaram a incluir produtos como Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Tixan Ypê Express, Ypê Power Act e até um lote do detergente Ypê lava-louças Neutro.
O documento aponta ainda que sete dos 14 lotes avaliados apresentaram vestígios genéticos de outras bactérias, entre elas Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii e diferentes espécies do gênero Pseudomonas. Na denúncia, a Unilever argumenta que parte desses microrganismos também pode oferecer riscos à saúde humana.
Diante do cenário, a companhia solicitou às autoridades a ampliação do recall e a instauração de um procedimento administrativo para apurar a atuação da Química Amparo.
Após o recebimento das denúncias, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária realizou fiscalizações na unidade industrial da empresa, localizada em Amparo. Neste mês, o órgão determinou a suspensão da produção e da comercialização de produtos líquidos fabricados no complexo, incluindo detergentes, lava-roupas e desinfetantes.