O delegado William Marcel Murad deve assumir temporariamente a direção-geral da Polícia Federal após o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues, determinado nesta terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Atual diretor-executivo da corporação, Murad é considerado o segundo nome na hierarquia da PF.
Delegado desde 2002 e formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Murad ocupa a diretoria-executiva da Polícia Federal desde janeiro de 2025. Com o afastamento de Rodrigues, ele passa a ser o responsável por assumir o comando da corporação enquanto a decisão permanecer em vigor.
Defesa da autonomia da PF
Durante a abertura do 63º Curso de Formação Profissional para agentes da PF, em Brasília, Murad defendeu publicamente a atuação da corporação e reafirmou a confiança no diretor-geral afastado. Em discurso aos 763 alunos do curso, afirmou que a atuação autônoma, imparcial, técnica e apartidária permite que a instituição enfrente “disparates, ataques, tentativas de usurpação de funções e de desqualificar o trabalho” do órgão.
Murad declarou ainda que a Polícia Federal tem o dever de defender suas atribuições e preservar a legalidade das investigações. Para ele, o respeito às funções de cada instituição do sistema de Justiça é fundamental para garantir a lisura das apurações e das futuras condenações.
“Reafirmo nossa total confiança no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues”, declarou Murad durante o evento.
O delegado também afirmou que o fato de a corporação atuar estritamente dentro da lei e comprometida com o interesse público mantém os integrantes da instituição confiantes de que os fatos apurados nas investigações prevalecerão. Segundo ele, a PF saberá se defender de ataques, “venham eles de onde vierem”.
Experiência na corporação
Antes de assumir a diretoria-executiva, Murad foi adido da Polícia Federal no Reino Unido e na Irlanda do Norte, além de diretor de Tecnologia da Informação e Inovação e coordenador-geral de Inteligência.
Ao longo da carreira, também comandou unidades da corporação em São Paulo, Rio Grande do Norte e Pernambuco, acumulando experiência em áreas como combate ao crime organizado, inteligência, crimes fazendários e tráfico de drogas.
O afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, foi determinado por André Mendonça após o ministro apontar a existência de um suposto monitoramento ilegal. A decisão ocorre em meio à crise institucional envolvendo integrantes do Supremo.
Pouco depois, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento de Rodrigues, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Enquanto o caso não retornar à pauta, a decisão provisória de Mendonça continua em vigor.