Na noite desta terça-feira (26), o presidente estadual do PT, Tássio Brito, concedeu entrevista ao programa Ligação Direta, na Salvador FM, e reagiu a críticas de adversários sobre a segurança pública no estado da Bahia. O dirigente também rebateu a tese de que a população está cansada de 20 anos de governos do PT e apontou conquistas das administrações petistas em áreas como educação e saúde.
Por ocasião da divulgação nesta terça-feira do relatório do Atlas da Violência, que apontou a Bahia como detentora de seis das 10 cidades mais violentas do país, o presidente do PT baiano foi questionado sobre como o partido que governa o estado lida com esse cenário.
Segundo Tássio Brito, as regiões Norte e Nordeste enfrentam consequências de um problema que surgiu nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
“Nós estamos enfrentando na Bahia um reflexo da inoperância da política de segurança pública que os nossos adversários defendem, porque eles que dirigiram os estados do Rio de Janeiro e São Paulo durante toda a história. O Comando Vermelho é criado e fomentado no Rio de Janeiro. O PCC é criado e formado em São Paulo. O que estamos vivendo é a expansão destes grupos para o resto do Brasil inteiro. Nós estamos tendo que lidar com a incapacidade deles na política de segurança pública, que eles sempre defenderam. Estes grupos vêm para cá e nós temos que enfrentar”, apontou o presidente
Ainda segundo Tássio Brito, o governo Jerônimo Rodrigues conseguiu melhorar diversos indicadores no campo da segurança desde que assumiu a gestão estadual.
“Desde o início do governo Jerônimo Rodrigues, todos os indicadores de segurança pública apresentaram queda. Caíram números de mortes violentas, roubos a coletivos, explosão de agências. Todos tiveram quedas expressivas, resultado fruto de um investimento que o governador Jerônimo Rodrigues tem feito na inteligência da polícia do nosso estado”, defendeu
Rompimento do senador Angelo Coronel
O presidente do PT baiano também alfinetou o senador Angelo Coronel (Republicanos), que rompeu com o governo petista e migrou para o grupo de ACM Neto (UB), pré-candidato ao Palácio de Ondina contra Jerônimo.
Tássio recordou que a esquerda teve dificuldade em aceitar Coronel como integrante da chapa petista nas eleições de 2018.
“Não foi simples para a militância do PT votar em Coronel. A gente fez o debate de convencimento e todo mundo foi votar com Coronel. Foi um voto de confiança dado a Coronel”, relembrou
Agora, completou Tássio Brito, Coronel voltou a pleitear espaço na chapa petista para concorrer à reeleição, mas a quebra de confiança do congressista na relação com o também senador Otto Alencar, presidente do PSD baiano, acabou dando fim à aliança.
“Ele fez o movimento que quebrou a confiança com Otto Alencar, saiu do grupo e assumiu publicamente que nos traiu em 2022 na urna, mesmo depois disso ele ter pedido novamente nossa confiança. A gente correu o risco de entender que era ele o candidato e nem ficaria sabendo que ele nos traiu na urna em 2022”, assimilou o dirigente
Pré-candidaturas do MST
Ainda durante a entrevista ao programa Ligação Direta, o presidente do PT baiano falou da saída de Lucinha do MST e Fabya Reis da corrida por uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) nas eleições deste ano.
No mês de abril, movimentos sociais publicaram uma carta em protesto à retirada das pré-candidaturas de Lucinha e Fabya. No entanto, conforme explicou Tássio Brito, não ocorreu uma retirada deliberada por parte do PT.
De acordo com o dirigente partidário, houve um entendimento dentro do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), ao qual as duas militantes estão vinculadas historicamente, pela concentração de esforços na eleição de três representantes do movimento em âmbito nacional. Entre os três, está o deputado federal baiano Valmir Assunção (PT), marido de Fabya Reis.
“O MST faz uma disputa geral no Brasil e tem três parlamentares no Congresso Nacional contra 300 do agronegócio. É uma análise política do movimento de que neste momento fragilizaria o tamanho do movimento na política sair com [mais de] três candidaturas. As candidaturas de Fabya e Lucinha não foram retiradas. As duas entenderam que neste momento era melhor fazer essa movimentação para preservar o mandato do MST que luta pela reforma agrária”, detalhou Brito
Outro assunto abordado com o presidente do PT foi a informação de que a agremiação estaria enfrentando dificuldades de compor a cota feminina para fechar a lista de pré-candidatos.
“Tanto a nossa chapa estadual quanto a federal não tem nenhum problema com cota de gênero. Ao contrário, temos candidaturas muito qualificadas tanto para federal, quanto para estadual”, descreveu o dirigente petista
Assista, a seguir, a entrevista completa na edição do programa Ligação Direta desta terça-feira (26):