Após os Estados Unidos divulgarem que estão avaliando classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas, a Polícia Federal rejeitou a tese e descartou a possibilidade.
Em manifestação enviada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com assinatura do diretor-geral Andrei Rodrigues, a PF argumenta que há um consenso internacional de que o terrorismo envolve “violência com motivações políticas, ideológicas, religiosas ou discriminatórias, voltada a provocar terror generalizado e pressionar governos”, o que não carateriza as organizações criminosas brasileiras. As informações foram divulgadas pela coluna de Mirelle Pinheiro do portal Metrópoles.
Além disso, o documento estabelece a seguinte distinção:
- Organizações terroristas têm motivação política;
- Organizações criminosas atuam com objetivo econômico.
Para a PF, a violência usada pelas facções não justifica o enquadramento, pois as ações costumam ser direcionadas a rivais ou forças de segurança. Apesar de negar a tese, o órgão reconhece os riscos dos grupos à ordem pública e segurança institucional.
Tese dos EUA
A informação de que o Governo dos Estados Unidos avalia classificar o PCC e CV como organizações terroristas foi divulgada pelo jornal americano The New York Times.
De acordo com a publicação, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) trabalharam para convencer autoridades dos EUA de que os grupos representam uma ameaça à segurança e aos interesses políticos locais.