papel de figurinha leva 100 anos para sumir

O hábito de colecionar as figurinhas da Copa do Mundo de 2026 traz um desafio ecológico invisível para a maioria dos torcedores: o descarte do liner, o papel siliconado que protege a parte colante de cada cromo antes de ser fixado nas páginas.

Embora o mercado ofereça soluções estruturais para materiais recicláveis comuns, a película de silicone aplicada sobre essa celulose retarda a sua decomposição biológica natural.

Especialistas alertam que, quando esse resíduo é destinado incorretamente a aterros sanitários e lixões convencionais — o desfecho mais provável na malha de saneamento brasileira —, ele pode levar até 100 anos para desaparecer da Terra, contribuindo diretamente para a emissão de gases de efeito estufa ao se misturar a componentes orgânicos.

Reciclável x Reciclabilidade

A problemática do liner ilustra a distinção técnica existente entre o conceito de um material ser meramente “reciclável” e possuir “reciclabilidade” efetiva dentro da cadeia produtiva de logística reversa.

Enquanto itens recicláveis possuem propriedades físicas adequadas para a reinserção industrial — como as garrafas pet —, a reciclabilidade mensura a viabilidade econômica, a infraestrutura local disponível e a complexidade mecânica necessárias para que esse reprocessamento ocorra em larga escala.

No caso do papel siliconado, o desprendimento do silicone exige maquinários de alta especificidade e processos químicos dispendiosos, o que desestimula sua absorção por cooperativas tradicionais de triagem e restringe as plantas de conversão a iniciativas pontuais no território nacional.

Tudo sobre Brasil em primeira mão! Entre no canal do WhatsApp.

Leia Também:

Impacto minimizado

Para dimensionar a escala do descarte gerado pela coleção de figurinhas, antes do início do Campeonato Mundial, o g1 fez uma projeção baseada nos fluxos comerciais de plataformas digitais de entrega.

Ela aponta que apenas uma ação promocional inicial respondeu pela comercialização de 6,7 milhões de pacotes, totalizando quase 47 milhões de adesivos em circulação e gerando uma estimativa imediata de 11,7 toneladas de resíduo de liner.

Em contrapartida, dados consolidados da Copa do Mundo de 2022 mostram que uma campanha de captação coordenada pela Dow Brasil — fornecedora da tecnologia de silicone — conseguiu desviar do meio ambiente somente 168 mil unidades do papel, o equivalente a discretos 42 quilos encaminhados à reciclagem industrial.

Lacunas na legislação

Apesar das lacunas de interpretação técnica e de fiscalização presentes no texto da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em relação à responsabilidade estendida dos fabricantes sobre as frações descartáveis de suas embalagens, ambientalistas orientam os consumidores a manter o envio do papel de descarte nos cestos destinados aos resíduos secos e recicláveis.

O procedimento é recomendado porque, mesmo diante das barreiras de triagem mecânica, centros de distribuição avançados conseguem isolar fardos desse material e destiná-los a plantas especializadas, como a unidade da Polpel em Guarulhos, na região Metropolitana de São Paulo.

Em paralelo, a indústria química internacional afirma manter agendas de pesquisa abertas com os demais elos da cadeia de suprimentos para o desenvolvimento de soluções siliconadas com maior circularidade comercial e menor pegada ecológica nas próximas temporadas de colecionismo esportivo.



VEJA MAIS

Corpus Christi: Governador decreta ponto facultativo e servidores terão feriadão

Foto: Divulgação/GOVBA Em função do feriado de Corpus Christi na próxima quinta-feira (4), o governador…

Mãe e pai são presos por torturar bebê de 10 meses na Bahia

Um casal, de 22 e 26 anos, foi preso nesta sexta-feira, 29, por suspeita de…

Jorge, conhecido como “Branca de Neve” pelo restaurante Kombi 4 Rodas, morre em Salvador

Faleceu neste sábado (30) Jorge, conhecido como “Branca de Neve”, que ganhou notoriedade entre frequentadores…