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Osba apresenta Gal 80, em homenagem à artista baiana

A voz de Gal Costa atravessa gêneros, fronteiras e gerações, deixando marcas profundas na memória do país. E nesta sexta-feira, 26, essa presença se renova, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), quando a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) celebra os 80 anos de nascimento da cantora e também os seus próprios 43, reunindo 11 intérpretes para reverenciar uma das maiores artistas da nossa história.

O espetáculo contará com as participações dos artistas Aiace, Angela Velloso, Clariana, Claudia Cunha, Emanuelle Araújo, Lazzo Matumbi, Luíza Britto, Márcia Short, Simoninha, Sophie Charlotte – que interpretou Gal no cinema – e Walerie Gondim, sob a regência do maestro Carlos Prazeres e direção artística de Manno Góes.

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Desde 2011 à frente da Osba, Prazeres vem conduzindo a orquestra por caminhos que ampliam sua presença no cotidiano cultural da Bahia, aproximando a música sinfônica do público popular.

Segundo ele, adaptar Gal foi um exercício de revelar o que já estava presente e promover um diálogo entre a alma da canção e a paleta sinfônica. “A música de Gal já tem uma sofisticação harmônica enorme, então a ideia não foi ‘orquestrar para ficar mais grandioso’, e sim revelar camadas que já estavam lá. Trabalhamos para que a orquestra respirasse junto com a voz da Gal, com muito espaço para a percussão e para a cadência brasileira”.

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Histórias cruzadas

Não é a primeira vez que Gal e a Osba se encontram. Ao longo da carreira, a cantora se apresentou acompanhada pela orquestra em ocasiões especiais, sempre reafirmando a potência desse diálogo entre a música popular e a erudita. Estiveram juntas na reinauguração do Teatro Castro Alves (1993); dividiram o palco da Bahia Marina, em 2000, na celebração dos 500 anos do Descobrimento do Brasil; e voltaram a se encontrar na Concha Acústica, em 2006.

Assim como a Osba, Gal se destacou pela inquietação e pela capacidade de transitar por diferentes gêneros sem perder a identidade. Entre os sucessos que marcaram sua trajetória estão Baby, Meu Nome é Gal, Força Estranha, Divino Maravilhoso e Balancê. Do tropicalismo ao pop, da bossa ao experimental, a artista fez da versatilidade sua marca.

Para o maestro Carlos Prazeres, essa afinidade é também um ponto de convergência entre as duas trajetórias: “A Osba e a Gal compartilham essa coragem de se reinventar sem perder a identidade. É o mesmo espírito de inquietação e pertencimento à Bahia”.

Ecos de Gal

Para a cantora Márcia Short, Gal sempre foi um farol, uma referência importante: “Eu acho que todas as cantoras do Brasil da minha geração têm uma sementinha de Gal dentro de si. Não tem como passar pela qualidade que tem a música brasileira sem acessar Gal Costa”.

Márcia lembra ainda que a interpretação de Brasil, de Cazuza, foi uma das canções mais marcantes de sua vida, e inspirou inclusive o início de sua carreira. “Eu digo que Gal sublimou, e agora as sementes de Gal estão brotando de todos os lugares. Gal está no Carnaval, está no concerto com a orquestra”, afirma.

Lazzo Matumbi também destaca a dimensão da homenagem. “Eu acho que a memória dela ecoa no Brasil, no coração de todos os brasileiros e na memória de toda a música brasileira”. Ele recorda ainda a primeira vez que ouviu London London, de Caetano Veloso, na voz de Gal, como um marco pessoal e uma evidência da singularidade da artista. “Quando ouvi aquela voz chorosa, melosa, super afinada, com uma timbragem totalmente diferente, me chamou muita atenção”.

Para a Bahia

Mais do que uma homenagem, o concerto é também um gesto de democratização cultural. Para Márcia Short, “a Osba é um banho de refinamento em tudo que toca, em tudo que se propõe. Esse viés popular vem para celebrar o encontro do povo com a orquestra”.

Lazzo reforça essa mesma percepção, destacando a força da aproximação da música erudita com o público baiano. “Tem um negócio que diz assim: ‘Ah, o povão não vai gostar da música clássica porque tem muitos instrumentos que eles desconhecem’. Balela. É só levar que eles vão dizer: ‘Isso também é nosso”.

Aos 43 anos, a Osba reafirma seu papel como patrimônio cultural vivo da Bahia, mantendo-se jovem e conectada ao público, todos os públicos, de acordo com Carlos Prazeres.

“A Osba é viva porque a Bahia é viva. Essa renovação não é um projeto de marketing, é um reflexo natural do que acontece nas ruas, nos terreiros, nos palcos independentes. A orquestra se alimenta do que o público vive, e por isso ela continua jovem aos 43 anos, porque escuta, arrisca e não tem medo de mudar”, declara Prazeres.

Com arranjos de Itamar Assiere, Tiago Pallone, Fernando Morais e dos irmãos Caldi, a noite de hoje promete fortalecer esse vínculo com o público e seu território, entrelaçando música erudita e popular em homenagem a uma artista eterna.

Orquestra Sinfônica da Bahia em Gal 80 / 26 de setembro / 19h / Concha Acústica do Teatro Castro Alves / Ingressos esgotados



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