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o desafio de proteger a verdade nas eleições de 2026

Luciano Suedde é chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação da Bahia –

Com mais de 156 milhões de eleitores e um ambiente digital dominado pela velocidade e pela emoção, as eleições de 2026 já se desenham como um dos maiores testes institucionais da democracia brasileira. Se, por um lado, a tecnologia ampliou o acesso à informação, por outro abriu espaço para um velho problema em nova escala: as fake news. Nesse cenário, os órgãos fiscalizadores assumem papel central para garantir que o voto seja guiado por fatos — não por boatos.

No Brasil, a estrutura de fiscalização eleitoral é robusta e multifacetada. À frente está o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acompanhado pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), pelo Ministério Público Eleitoral e pela Polícia Federal. Longe de atuar como censores, esses órgãos funcionam como guardiões das regras do jogo: investigam irregularidades, determinam a remoção de conteúdos ilegais e combatem abusos de poder econômico e político no ambiente digital.

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A atenção redobrada em 2026 não é por acaso. O avanço de tecnologias como inteligência artificial generativa e deepfakes elevou o nível de sofisticação da desinformação. Hoje, vídeos manipulados e áudios falsos podem ser criados com impressionante realismo, confundindo até usuários atentos. Soma-se a isso a velocidade de disseminação: estudos indicam que conteúdos falsos se espalham muito mais rápido do que suas correções. Em um ambiente já marcado pela polarização, o risco de impacto no processo eleitoral é evidente.

Para enfrentar esse desafio, os mecanismos de atuação evoluíram. O TSE mantém canais diretos de denúncia e pode determinar a retirada rápida de conteúdos irregulares, além de assegurar direito de resposta em prazos curtos. O Ministério Público atua na investigação e judicialização de crimes eleitorais, enquanto a Polícia Federal realiza perícias técnicas e identifica redes organizadas de desinformação. Paralelamente, acordos com plataformas digitais têm permitido a derrubada de contas falsas, a rotulagem de conteúdos manipulados e maior transparência na publicidade política online.

Ainda assim, os desafios são significativos. O volume de informações circulando diariamente torna a fiscalização uma tarefa hercúlea. Há também o delicado equilíbrio entre combater a desinformação e preservar a liberdade de expressão — distinguir opinião de manipulação deliberada nem sempre é simples. E, muitas vezes, a resposta institucional chega depois que o dano já foi causado pela viralização.

Por isso, cresce a percepção de que a solução não depende apenas das instituições. A educação midiática do eleitor torna-se peça-chave. Saber identificar fontes confiáveis, desconfiar de conteúdos sensacionalistas e verificar informações antes de compartilhar são atitudes que fortalecem o processo democrático.

Em 2026, a disputa não acontecerá apenas nas urnas, mas também nas telas. Os órgãos fiscalizadores serão essenciais para conter excessos e garantir transparência. Mas o verdadeiro escudo contra a desinformação será construído de forma coletiva — entre Estado, plataformas e cidadãos. Afinal, mais do que escolher representantes, estará em jogo a própria qualidade da democracia.



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