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Jovem de 19 anos com síndrome rara já foi diagnosticado seis vezes com câncer


Um tumor atrás do outro levou os médicos a constatarem uma predisposição genética chamada síndrome de Li-Fraumeni, condição rara que aumenta significativamente o risco de câncer ao longo da vida

Luís Adolpho Moraes, de 19 anos, morador de Registro, em São Paulo, estudante de Gestão Empresarial e agente técnico-administrativo, já teve seis diagnósticos de câncer. Isso porque ele tem a síndrome de Li-Fraumeni, condição rara em grande parte do mundo, mas que aumenta de forma expressiva o risco de câncer ao longo da vida. A reportagem do portal LeoDias entrevistou o jovem, que detalhou como é a vida diante das doenças e como está hoje.

Mas, antes, é importante contar como ele esteve nas últimas semanas: internado devido a complicações de uma cirurgia à qual foi submetido. O morador de SP realizou o procedimento para remover um tumor no intestino e também para retirar a vesícula, que estava com pedra.

Veja as fotos

Reprodução Instagram Luís Adolpho Moraes

Luís Adolpho Moraes na academiaReprodução Instagram Luís Adolpho Moraes

Reprodução Instagram Luís Adolpho Moraes

Luís Adolpho MoraesReprodução Instagram Luís Adolpho Moraes

Reprodução Instagram Luís Adolpho Moraes

Luís Adolpho Moraes quando era mais novoReprodução Instagram Luís Adolpho Moraes

Reprodução Instagram Luís Adolpho Moraes

Luís Adolpho Moraes internado em um hospital quando era mais novoReprodução Instagram Luís Adolpho Moraes

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Luís Adolpho Moraes internado em um hospital quando era mais novoReprodução Instagram Luís Adolpho Moraes


Houve algumas complicações no pós-cirúrgico. Ele estava se recuperando bem, porém não do jeito que a médica queria. Foram realizados exames, entre eles uma colonoscopia, que constatou um furo no intestino, o que resultou em uma infecção.

“Eu tive que ir para a cirurgia com urgência e descobriram que eu estava com infecção e que parte do meu intestino tinha necrosado também. Aí fiz a cirurgia e comecei a me recuperar bem, porém tive que colocar vários drenos na barriga para drenar os líquidos, porque também acabei pegando fungo e bactéria no intestino”, explicou.

O tratamento também contou com o uso de vários antibióticos e a colocação de mais um dreno na barriga, região que ficou cheia de furos. O jovem se recuperou depois dessa segunda cirurgia, quando precisou colocar a bolsa de ileostomia.

Atualmente, o agente técnico-administrativo se sente bem e consegue se alimentar e andar, com algumas limitações, porque continua em recuperação.

Síndrome de Li-Fraumeni

Após investigação dos médicos, Luís foi diagnosticado com síndrome de Li-Fraumeni, o que explicou a sequência de diagnósticos de câncer. Em sua família não há nenhum caso de tumor; houve apenas um de um tio distante, que teve câncer no pulmão por ser fumante.

“Os médicos fizeram vários exames, não só em mim, mas também na minha irmã e nos meus pais. Se eu tenho, é porque um deles poderia ter também. Eles fizeram os exames e não foi encontrado nada neles. Os médicos chegaram à conclusão de que a síndrome, que é hereditária, surgiu em mim”, contou. Como o problema começou nele — algo que ocorre em cerca de 20% dos pacientes — seus filhos também poderão herdar a condição.

O jovem explicou que não existe tratamento específico nem cura, mas faz acompanhamento intensivo para rastrear tumores na fase inicial, aumentando as chances de cura. Está sempre realizando exames de sangue e de imagem, com cuidado por conta da radiação, já que há exames que não podem ser feitos com frequência, como, por exemplo, a tomografia.

O rapaz nunca tinha ouvido relatos de outras pessoas com a mesma síndrome, mas, depois que começou a usar uma rede social para contar sua condição, passou a ver diversos depoimentos.

Os vários diagnósticos de câncer

Luís disse que não sabe explicar exatamente como é lidar com um diagnóstico de câncer após o outro. Ele não faz terapia e é católico. “Para mim, nunca foi algo tranquilo, mas eu sempre lidei muito bem com os diagnósticos. Não sei se por saber que havia algo a ser feito eu me tranquilizava, porque acho que, se o médico falasse ‘Ah, não tem nada a ser feito’, isso me deixaria mais preocupado.”

“Mas, como sempre tinha uma solução, eu ficava tranquilo, apesar de às vezes não gostar muito da solução, como, por exemplo, as quimioterapias, que eu já fiz diversas vezes e já sabia como eram. Cada quimioterapia que eu fazia eu sabia como ia ser, mas fazia tranquilamente. Se precisasse fazer, eu fazia. Nunca foi fácil, mas sempre reagi com tranquilidade”, completou.

Apesar do problema de saúde, ele consegue ter uma vida normal. Estuda, trabalha e treina na academia, algo de que gosta muito. “Eu ia para a academia de manhãzinha, depois ia para o trabalho e, do trabalho, já seguia direto para a faculdade. Eu gosto bastante dessa rotina puxada, não vou mentir. Esses últimos dias em que fiquei internado no hospital, senti falta dessa rotina.”

Diagnósticos

O primeiro câncer foi diagnosticado quando Luís tinha 3 anos: um cisto rígido na parte interna da coxa (rabdomiossarcoma). Os outros surgiram mais tarde: dois tumores ósseos, um sarcoma na coxa, uma metástase no pulmão e, mais recentemente, um adenocarcinoma no intestino.

A sucessão de tumores levou os médicos a constatarem a predisposição genética, e um teste feito na infância confirmou a suspeita: síndrome de Li-Fraumeni.

Entre as muitas sessões de quimioterapia, radioterapia, cirurgias para retirada da área afetada, reconstrução óssea com enxertos e internações prolongadas, o estudante também precisou enfrentar outra situação: a amputação da perna acima do joelho. Isso porque, aos 12 anos, teve um sarcoma agressivo no fêmur direito, sem margem de segurança para preservação do membro.



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