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Ex-deputado da Bahia é alvo de investigação por possível acordo com facções

Uma operação da Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão nesta terça-feira, 14, em Teixeira de Freitas, no sul da Bahia. A ação faz parte de uma investigação que apura uma possível articulação entre o ex-deputado federal Uldurico Junior e lideranças de facções criminosas custodiadas em presídios do estado.

De acordo com a PF, a suposta aliança teria ocorrido durante o período das eleições municipais de 2024, quando o político concorreu à prefeitura do município pelo MDB, mas acabou derrotado por Marcelo Belitardo (União Brasil). Uldurico terminou a disputa em segundo lugar, com 18.130 votos.

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Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam celulares, notebooks, dispositivos eletrônicos de armazenamento de dados e anotações físicas, que serão analisados ao longo da investigação. Caso as suspeitas sejam confirmadas, o ex-parlamentar pode responder por corrupção eleitoral, organização criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva.

Trajetória política

Uldurico Junior já ocupou o cargo de deputado federal por dois mandatos consecutivos, eleito em 2014, pelo PTC, e em 2018, pelo PPL. Em 2020, disputou a prefeitura de Porto Seguro, mas não venceu. Dois anos depois, em 2022, ficou como suplente de deputado federal pelo MDB.

Ligação com ex-diretora de presídio

O nome do ex-deputado também aparece em outra investigação. Em julho do ano passado, ele foi apontado como “padrinho político” de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis.

Ela foi nomeada para o cargo em março de 2024, substituindo o tenente-coronel PM Cleber Santos, conforme publicação no Diário Oficial do Estado. Posteriormente, a ex-gestora foi envolvida no caso da fuga de presos ligados à facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ocorrido em dezembro de 2024. O grupo tem associação com organizações criminosas como o Bonde do Maluco (BDM) e o Comando Vermelho (CV).

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Segundo denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Joneuma mantinha relacionamento com o líder da facção local e atuava como intermediadora entre ele e o político. As reuniões, conforme o documento, aconteciam “de forma clandestina, com a participação de Joneuma, e cercadas de ‘cuidados especiais’ para não serem registradas pelas câmeras de segurança ou arquivos da unidade, o que representava uma grave quebra dos protocolos de segurança.”

Ainda de acordo com o MP-BA, a atuação da ex-diretora tinha como objetivos:

  • Acobertar politicamente as atividades criminosas da facção PCE;
  • Favorecer suas ações dentro do Conjunto Penal de Eunápolis.

“Eleitores cativos” e suposto esquema

Em troca da relação com o político, Joneuma teria oferecido a Uldurico “eleitores cativos”.

“O político fornecia apoio para que ela se mantivesse na administração do Conjunto Penal, representando os interesses do PCE. O voto comprometido era comercializado, e cada eleitor aliciado recebia a quantia de R$ 100,00”, diz outro trecho da denúncia.

Conforme o Ministério Público, o valor seria distribuído entre integrantes da facção, além de familiares e pessoas próximas ao grupo criminoso.

Relação pessoal

A denúncia também aponta que Uldurico teria mantido um relacionamento amoroso com a ex-diretora, o que teria resultado em uma gravidez. Em abril deste ano, Joneuma ingressou na Justiça com um pedido de pensão alimentícia contra o ex-deputado.



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