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especialistas debatem mercado baiano no Indústria em Pauta

O futuro do setor industrial baiano é verde. O investimento em produção através de práticas sustentáveis foi um dos motes do evento “Indústria em Pauta: O DNA da Nova Bahia” que reuniu líderes do setor, especialistas na área e representantes do setor público para debater o cenário atual da indústria baiana e seu futuro. O encontro foi promovido pelo Grupo A TARDE, na tarde de terça-feira, 26, no Espaço Conexão da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), no Stiep, em Salvador.

A crise climática é uma questão internacional e que pauta o setor industrial com o desafio de continuar crescendo e produzindo, porém de maneira sustentável. O diretor-presidente da Bahiainveste e um dos painelistas do encontro, Paulo Guimarães, indica que neste cenário é preciso avançar rapidamente em novas tecnologias – o que ele vê como desafio nacional.

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“A indústria brasileira nunca foi uma indústria, em sua maioria, que tenha investido em tecnologia”, afirma. Ele aponta, porém, que esse desafio global da sustentabilidade é menor no país, e mais especificamente, na Bahia, que já conta com uma forte matriz energética sustentável.

“Quando nós falamos que a Bahia hoje tem 97% de sua energia elétrica de fonte renovável isso assusta muita gente de fora daqui que não acredita que isso seja possível”, comenta.

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Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

É essa vantagem de contar com energia e matérias-primas renováveis que as empresas do estado buscam aproveitar num novo momento de industrialização. Para aproveitar essa vantagem é preciso equilíbrio, comenta o diretor industrial da Braskem na Bahia e vice-presidente da FIEB, Carlos Alfano, que também falou no evento. Ele explica que a indústria sustentável precisa ser competitiva e que agregar tecnologia não significa redução de empregos.

Neste momento o panorama da indústria baiana é de transformação e desenvolvimento, indica Carlos:

“Ainda vivenciamos um mundo de exportação de commodities e estamos em transição em termo de desenvolvimento industrial. Estamos passando de uma indústria que era concentrada em grandes players e poucos produtos e estamos diversificando”, afirma.

Acompanhado dessa transformação há uma necessidade de capacitação de mão de obra, ressalta o superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Aurinézio Calheira, outro presente no painel.

“Temos ilhas de conhecimento, como o Polo Industrial de Camaçari, com uma mão de obra extremamente capacitada, mas é preciso que isso seja ampliado para termos futuros profissionais com educação maior e voltada para a indústria”, comenta. Ele destaca a importância disso para o estado não ser só um exportador de energia e matéria-prima, mas também atuar como um “player” no mercado. Além da transição energética, especialistas apontam setores estratégicos que podem impulsionar essa nova fase industrial.

Próximos passos

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Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

Há setores estratégicos que podem se beneficiar com a consolidação da indústria verde na Bahia, fala o gerente executivo de desenvolvimento industrial da Fieb, Marcus Verhine, parte do grupo de painelistas do evento. “O biocombustível, sem dúvida nenhuma, é um setor forte. A química tem chance de fazer uma conversão e se adaptar ao desafio da indústria verde. Temos projetos de refino ligados à produção do querosene sustentável para a aviação”, afirma.

Ele também destaca o potencial da mineração baiana neste novo cenário industrial. “A mineração baiana é destaque do ponto de vista da pesquisa mineral e há uma intensidade enorme aqui, sobretudo com minerais críticos”, completa.

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Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

Já o superintendente de Atração de Investimentos e Fomento ao Desenvolvimento Econômico da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Luciano Giudice, ressaltou as ações do Governo do Estado para expansão industrial e geração de empregos. Ele, que fez parte do grupo responsável pela conversa durante o encontro do setor industrial, explica que a pasta está no processo de elaboração de uma nova política industrial para o estado, construída em parceria com outras instituições.

“Está sendo feito todo um trabalho de levantamento, de identificação da cadeia, de avaliação desses players. E a partir disso aí toda a cadeia da indústria da Bahia está sendo mapeada e propostos novos planos, novas ações, novos direcionamentos para a indústria da Bahia”, comenta. Além disso ele destaca que a pasta tem atuado na concessão de incentivos fiscais, benefícios para instalação de empresas e disponibilização de áreas industriais para novos empreendimentos.

O evento “Indústria em Pauta: O DNA da Nova Bahia” promovido pelo Grupo A TARDE contou com apoio da FIEB, Braskem, Acelen, Wilson Sons e Galvani. Também marcaram presença representantes da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), o empresário do setor químico Hilton Lima, a ativista climática Gilda Gomes e a gerente do centro internacional de negócios da FIEB, Patrícia Orrico.



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