A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), avalia que tanto Alexandre de Moraes quanto André Mendonça cometeram erros nas medidas que colocaram a Corte no centro de uma crise institucional. A magistrada ainda não definiu qual dos dois ministros terá seu apoio nas futuras deliberações do plenário.
A posição de Cármen Lúcia é considerada decisiva diante da divisão de forças no Supremo. De um lado, Moraes conta com o apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Mendonça, por sua vez, calcula ter os votos de Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin. Dias Toffoli deve ficar fora das votações após se declarar suspeito nos casos relacionados ao Banco Master.
O STF deverá analisar tanto os métodos adotados por Mendonça nas investigações envolvendo o Banco Master e o INSS, que resultaram em um relatório da Polícia Federal com menções a Moraes, quanto a decisão do próprio Moraes de usar o inquérito das fake news para pedir uma investigação contra o colega.
Segundo pessoas próximas à ministra, Cármen Lúcia demonstrou preocupação com a exposição pública e com o agravamento da crise, mas também teria ficado incomodada com a reação de Moraes. Ela ainda não teve acesso à íntegra dos autos e afirma que sua posição será definida exclusivamente com base no processo.
A ministra já deixou claro a auxiliares que não possui alinhamento irrestrito com nenhuma das duas alas do Supremo. Nos bastidores, cresce a expectativa sobre seu voto, considerado capaz de redefinir a correlação de forças dentro da Corte e influenciar os rumos da crise institucional.