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Acelen foca no futuro e investe em produção de biocombustível com macaúba

A necessidade de conciliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade é um desafio para as grandes empresas no século XXI. A Acelen, empresa que controla a Refinaria Mataripe, em São Francisco do Conde, iniciou esse processo com o uso da macaúba.

Em visita ao Grupo A TARDE, Marcelo Lyra, Vice Presidente de Relações Institucionais, Comunicação, ESG e Desenvolvimento Territorial da Acelen, administrada pelo fundo Mubadala Capital, reforçou a iniciativa do grupo de produção de biocombustível verde, tendo o fruto como matéria-prima.

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Marcelo Lyra, que esteve acompanhado de Gustavo Porto, coordenador de Eventos e Patrocínios da Acelen, e Daiane Neves, coordenadora de Comunicação Externa da empresa, participou de uma rodada de conversa e fez apresentação aos jornalistas do Grupo sobre o momento atual da empresa.

Lyra apresentou números de investimentos da Acelen na Bahia
Lyra apresentou números de investimentos da Acelen na Bahia – Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

Biorrefinaria e produção de combustível verde

A Acelen Renováveis, braço do grupo voltado para a produção de biocombustíveis, investiu cerca de U$ 1,5 bilhão para a implantação de uma biorrefinaria nos arredores da Refinaria Mataripe, com foco no desenvolvimento do diesel verde, produzindo combustível renovável de aviação (Saf).

Segundo Marcelo Lyra, o local, que tem previsão de inauguração para o primeiro semestre de 2029, terá capacidade de produção de até um bilhão de litros de diesel verde.

Para isso, a Acelen começou o processo de plantação de 144 mil hectares de áreas cultivadas com a macaúba. Para que tais metas sejam cumpridas, foi firmada uma parceria direta com pequenos agricultores, além da geração de cerca de 85 mil empregos.

“É um investimento significativo de U$ 4 bilhões na produção de um bilhão de litros de diesel verde ou combustível renovável de aviação. A gente já começou a construir a biorrefinaria aqui na Bahia, ao lado da Mataripe, a biorrefinaria vai receber investimento de U$ 1,5 bilhão […] É um projeto que já saiu do papel, já virou realidade, já começou a ser implantado”, iniciou Marcelo Lyra, que continuou.

O projeto que nos emociona muito, bastante estimulados em fazer acontecer, são 144 mil hectares de áreas plantadas, e 20%, pelo menos, focado no pequeno produtor, na agricultura familiar, 85 mil empregos gerados. Um projeto do tamanho que a Bahia merece

Crise no Irã e impacto na Bahia

Marcelo Lyra também respondeu sobre as questões ligadas ao conflito do Irã com os Estados Unidos, que tem se estendido nos últimos meses, e seus impactos no preço do petróleo e dos combustíveis no bolso do consumidor baiano.

Segundo o vice-presidente de Relações Institucionais da Acelen, a guerra é encarada como um “elemento de instabilidade” na cotação do petróleo, interferindo diretamente na balança.

Ele destacou, porém, o papel do governo federal, que atuou com a concessão de subvenções para evitar que o consumidor fosse diretamente impactado.

“Guerra é um elemento de instabilidade, traz sempre uma instabilidade que, nesse caso de petróleo e seus derivados, que o petróleo é um considerado uma commodity específica, que viaja muito, sai de qualquer lugar do mundo para qualquer outro lugar do mundo com facilidade, o impacto é maior ainda”, destacou Marcelo Lyra, que frisou que os impactos seriam maiores sem as subvenções do governo.

“Essas oscilações de preço do petróleo, elas vão se refletindo, se deixar ela variar de forma solta, em toda cadeia do petróleo. Tem uma possibilidade de impacto, e o papel que o governo brasileiro fez com subvenções, uma decisão acertada na minha opinião, que a Acelen aderiu logo. Apesar da gente sentir o impacto no preço, esse impacto poderia ser muito pior se não tivesse nenhum tipo de iniciativa como as subvenções”, pontuou.

Crise na Braskem e futuro do Polo Industrial

A crise na Braskem, em recuperação judicial, tem gerado questionamentos acerca dos investimentos futuros e da modernização do Polo Industrial de Camaçari.

Marcelo citou o potencial de expansão de atuação do Polo Industrial em diversos setores, mencionando também a possibilidade da atração de uma “combinação de esforços” entre poder público e iniciativa privada.

“É um polo que tem potencial de expandir sua atuação para diversos setores econômicos, como já fez, mas também tem sua força na petroquímica brasileira. Eu acho que aqui gente pode trazer sempre a combinação de esforços da iniciativa privada de um modo geral, mas também com apoio do governo estadual e do governo federal, no sentido de criar condições para que o Polo de Camaçari siga representando o que sempre foi para o Brasil e para a Bahia”, explicou.

Futuro da Refinaria Mataripe e recompra

Vendida em 2021, a Refinaria Mataripe tem sido alvo de especulações sobre uma provável recompra por parte da Petrobras. Qualquer movimentação, no entanto, não foi confirmada, sendo um assunto restrito ao Fundo Mubadala.

“O que saiu nos jornais, o que é fato, e isso a gente pode considerar como verdade. O restante é especulação apenas […] Acho que a gente tem que encarar que isso é uma possibilidade (recompra), que pode estar ocorrendo, mas é um assunto que está restrito ao Fundo Mubadala e a própria Petrobras”, afirmou Marcelo Lyra, que continuou.

“O que a gente pode garantir é que nós estamos operando a refinaria de forma eficiente, investimos R$ 4 bilhões para melhorar as condições de operações. Temos um ativo extremamente competitivo, então esse trabalho é nossa responsabilidade”, pontuou o vice-presidente da Acelen.

Balanço da atuação da Acelen

Com cinco anos de existência, fundada a partir da compra Refinaria Landulpho Alves (Rlam), a Acelen aumentou a produção diária de barris, reduziu o consumo de energia, reduziu a emissão do flare e resíduos, e conquistou o selo prata de resíduo zero.

A empresa também criou um braço de trabalho social, com capacitação e diálogo nas comunidades que cercam a unidade.

A refinaria em números

  • 679 km de oleodutos ligando a refinaria aos terminais portuários e terrestres;
  • 10% do PIB estadual;
  • 16% do ICMS da Bahia;
  • US$ 200MM de investimento médio anual.

“A gente tem cinco anos de vida, a gente tem uma performance industrial, nós pegamos a refinaria com 205 mil barris/dia, hoje processamos em torno de 280 mil a 290 mil barris/dia, estamos entregando mais combustível para a população”, iniciou.

“Fizemos uma redução do consumo de energia, a diminuição de emissões no flare, resíduos foram reduzidos 93% da quantidade, trabalho que nos fez vencer o selo prata em uma premiação de resíduo zero. Temos também um trabalho social nas comunidades, quase R$ 35 milhões de investimentos. A gente já tem uma história para contar, e temos muito mais a fazer nos próximos cinco anos”, completou ao explicar os números e atuação da empresa ao longo dos cinco anos.



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