Depois de um dia de reuniões, tentativas de mediação e negociações sem consenso, Salvador encerrou esta quinta-feira, 21, com a confirmação da greve dos rodoviários para esta sexta-feira, 22.
A paralisação foi aprovada em assembleia realizada após a segunda audiência entre trabalhadores e empresários no Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA) terminar sem acordo.
Mesmo após a decisão da categoria, representantes jurídicos das empresas e do sindicato voltaram a se reunir durante a noite no tribunal para tentar evitar a paralisação. As conversas, porém, terminaram novamente sem consenso e a greve foi mantida.
O portal A TARDE acompanhou as negociações ao longo do dia e reuniu abaixo os principais pontos para entender o que motivou a greve, como será o funcionamento dos ônibus e o que esperar desta sexta.
Por que os rodoviários decidiram entrar em greve?
Os rodoviários decidiram entrar em greve porque não houve acordo com os empresários. A categoria afirma que o impasse não está apenas no reajuste salarial, mas também em mudanças nas condições de trabalho e manutenção de direitos já existentes.
Entre os pontos de divergência estão:
- percentual de reajuste;
- regras para pagamento de horas extras aos fins de semana;
- questões relacionadas ao monitoramento operacional;
- alterações em benefícios.
O sindicato pedia reposição da inflação com cerca de 5% de ganho real, enquanto os empresários ofereceram reajuste de 2,36%.
Em entrevista ao portal A TARDE, o presidente da categoria, Hélio Ferreira, criticou a proposta apresentada pelas empresas. “2,36% de aumento é uma vergonha. Isso deveria ser ganho real e não aumento salarial para uma categoria tão importante como a nossa.”
Já o diretor do sindicato, Fábio Primo, afirmou que a categoria considerou inaceitáveis alguns pontos colocados na mesa. “A proposta dos empresários era congelar o reajuste do ticket, aumentar a contrapartida de 10% para 20%, dar 2,36% no salário e ainda retirar alguns direitos que a gente já tinha.”
Vai ter ônibus circulando?
Segundo determinação do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-5), os rodoviários devem manter operação parcial do sistema durante a paralisação. Pela decisão da desembargadora Ivana Mércia Nilo de Magaldi, deverão circular:
- 60% da frota nos horários de pico (das 4h30 às 8h30 e das 17h às 20h);
- 40% da frota nos demais períodos do dia.
A magistrada destacou que, embora o direito de greve seja garantido constitucionalmente, “o transporte coletivo é considerado serviço essencial e exige equilíbrio entre o direito dos trabalhadores à paralisação e a manutenção da mobilidade urbana”.
Apesar da determinação, o sindicato afirmou que não há como garantir o cumprimento integral da frota mínima porque a adesão depende dos próprios trabalhadores.
“Vamos explicar a determinação judicial, mas não podemos garantir ônibus nas ruas porque não cabe a gente controlar todos os rodoviários. Eles podem respeitar a determinação ou não”, afirmou Hélio Ferreira.
A decisão também determina que o movimento ocorra de forma pacífica e proíbe bloqueios na saída dos ônibus das garagens. Em caso de descumprimento das medidas, o sindicato poderá ser multado em R$ 50 mil por dia.
Reforço da prefeitura
Paralelamente, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) informou que a Prefeitura de Salvador acionou a Justiça para garantir a operação mínima e anunciou reforço com 180 ônibus do Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC) nos principais corredores da cidade.
Segundo a gestão municipal, a expectativa é que as medidas reduzam os impactos da paralisação para os passageiros.
Como a população será afetada?
A expectativa é de impacto direto na rotina de milhões de passageiros. Entre os efeitos esperados estão:
- aumento do tempo de espera nos pontos;
- maior demanda sobre os ônibus do STEC;
- aumento da procura por outros modais, como metrô e transporte por aplicativo;
- possibilidade de viagens mais demoradas;
- necessidade de antecipação de deslocamentos.
Quais os próximos passos?
Apesar da greve seguir mantida, ainda há espaço para mudança no cenário.
Às 8h, os rodoviários realizam nova assembleia para votar a proposta apresentada pelas empresas. Em seguida, empresários e trabalhadores podem voltar ao TRT-BA para uma nova audiência de mediação.
Com isso, o cenário segue indefinido. Embora a greve esteja mantida até o momento, a assembleia da categoria e a nova audiência no tribunal podem redefinir o funcionamento do transporte ao longo desta sexta-feira.