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Teste de resistência? Estudo revela que Copa terá jogos sob condições extremas de calor

Relatório internacional aponta risco elevado de temperatura e umidade em partidas do Mundial de 2026, incluindo confronto do Brasil e a própria final

A Copa do Mundo pode ser disputada sob condições climáticas consideradas preocupantes para atletas e torcedores. Um estudo divulgado nesta quinta-feira (14/5) pelo consórcio científico World Weather Attribution (WWA) aponta que cerca de 25% dos jogos do torneio têm risco de ocorrer em cenários de calor extremo e alta umidade.

Entre as partidas citadas no relatório estão Brasil x Escócia, marcada para 24 de junho, e a final da competição, programada para 19 de julho. O levantamento também menciona confrontos como França x Senegal, Argentina x Argélia e Tunísia x Holanda.

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Reprodução/Instagram: @fifa

A próxima Copa do Mundo acontece em 2026 nos Estados UnidosReprodução/Instagram: @fifa


O estudo foi produzido por pesquisadores ligados ao Imperial College London, ao Centro Climático da Cruz Vermelha e ao Instituto Meteorológico da Holanda. Segundo os cientistas, o risco climático para o torneio praticamente dobrou em comparação à Copa do Mundo de 1994, última edição sediada nos Estados Unidos.

A análise utilizou o índice WBGT, parâmetro internacional que mede os efeitos combinados de temperatura, umidade, radiação solar e vento sobre o corpo humano. De acordo com os cálculos do WWA, aproximadamente um quarto dos 104 jogos previstos poderá ser disputado em níveis acima de 26°C de WBGT, faixa considerada limite para partidas sem pausas extras segundo a FIFPRO, sindicato mundial dos jogadores.

O relatório ainda indica que ao menos cinco partidas podem ultrapassar os 28°C de WBGT, condição vista como insegura para esforço físico intenso e que pode exigir medidas emergenciais de proteção.

Durante a apresentação do estudo, o diretor médico da FIFPRO, Vincent Gouttebarge, afirmou: “Essas estimativas justificam a necessidade da implementação de uma série de estratégias de mitigação, para proteger a saúde e o desempenho dos jogadores quando expostos a condições quentes.”

Os pesquisadores alertam que a situação pode se tornar ainda mais severa caso um fenômeno de El Niño se consolide durante o período da competição, elevando ainda mais as temperaturas no verão do Hemisfério Norte.

O estudo também destaca preocupação com cidades que receberão partidas em estádios sem refrigeração, como Miami, Kansas City, Nova York e Filadélfia.

Consultor do Imperial College Healthcare NHS Trust, Chris Mullington explicou que o impacto do calor vai além da temperatura registrada nos termômetros.

“Acima de 28°C de bulbo úmido, o risco de doenças graves relacionadas ao calor se torna mais preocupante. Não apenas para os jogadores, mas também para as centenas de milhares de torcedores nos estádios e festivais de fãs ao ar livre. O choque por calor é potencialmente fatal, e pessoas mais velhas e aquelas com condições médicas preexistentes são particularmente vulneráveis”, declarou.

Segundo o relatório, a combinação entre calor e alta umidade dificulta a evaporação do suor, principal mecanismo natural de resfriamento do corpo humano, aumentando o risco de hipertermia e outros problemas físicos relacionados ao esforço prolongado.

A Copa do Mundo de 2026 será disputada entre os dias 11 de junho e 19 de julho, com jogos distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e México.

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