O padre e DJ português Padre Guilherme se apresentou na Praça de Maio –
A Praça de Maio, na Argentina, virou palco de uma rave religiosa no último sábado, 18. O padre português Guilherme Peixoto, o “padre DJ”, reuniu milhares de pessoas em uma homenagem ao papa Francisco, um ano após sua morte.
Vestindo jeans, colarinho clerical e um terço no pulso, o sacerdote assumiu a cabine de som diante da catedral de Buenos Aires e da Casa Rosada, misturando universos que raramente se encontram.
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O repertório transitou entre versões techno de músicas populares, como a trilha de Super Mario e o hit “Ameno”, e trechos de discursos do pontífice argentino, criando uma narrativa sonora que combinava espiritualidade e cultura pop.
Uma celebração que mistura símbolos e gerações
No palco, elementos religiosos reforçavam o tom simbólico do evento. Uma cruz iluminada dominava o cenário, enquanto um telão exibia a imagem de uma pomba branca, associada ao Espírito Santo.
A apresentação começou com a voz do próprio Francisco ecoando pela praça, “A Igreja não é uma ONG”, e seguiu incorporando mensagens do papa ao longo do set.
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O público, diverso, respondeu com entusiasmo. Jovens, religiosos e curiosos cantaram juntos e ocuparam o espaço com uma energia que lembrava grandes festivais. Muitos usavam auréolas luminosas vendidas por ambulantes, em uma estética que misturava devoção e espetáculo.
Fé como linguagem contemporânea
A proposta de Peixoto parte da ideia de que a música pode ser uma ponte entre a Igreja e as novas gerações. Antes da apresentação, ele afirmou que deseja provocar reflexão por meio da experiência coletiva. A intenção, segundo ele, é que os jovens saiam tocados não apenas pela música, mas pela mensagem.
Essa tentativa de diálogo também foi percebida por quem acompanhava o evento. Mesmo entre não católicos, a iniciativa foi vista como um sinal de adaptação. Para parte do público, a combinação entre religião e música eletrônica aponta para novas formas de vivenciar a espiritualidade.
Uma trajetória entre altar e pista
Natural de Guimarães, em Portugal, Guilherme Peixoto é padre há mais de duas décadas, mas nunca se afastou da música. Ainda no seminário, conciliava a formação religiosa com experiências em bandas e apresentações musicais.
O interesse pela música eletrônica surgiu de forma prática, ao organizar eventos para arrecadar recursos para sua paróquia. A partir daí, passou a estudar mixagem de forma autodidata, desenvolvendo aos poucos um estilo próprio que une batidas eletrônicas a mensagens religiosas.
Da internet ao reconhecimento internacional
Foi durante a pandemia que o “padre DJ” ganhou projeção. Com igrejas vazias e atividades presenciais suspensas, ele começou a fazer transmissões ao vivo nas redes sociais. Os vídeos viralizaram e ampliaram seu público para além das comunidades religiosas.
Desde então, Peixoto já se apresentou em diferentes países e passou a explorar uma vertente mais melódica do techno, buscando criar uma experiência que vá além da pista de dança. Para ele, a música é também um instrumento de comunicação e acolhimento.