Você consegue imaginar um criminoso que, durante uma rebelião, manteve promotores e jornalistas como reféns, parou em um bar para dar autógrafos e ainda pediu bebidas e cigarros? Até poderia ser um roteiro de filme, mas não é. Essa história da vida real aconteceu no Brasil, apresentando ao país um bandido astuto chamado Leonardo Pareja.
Em meados dos anos 90, o Brasil foi palco de um espetáculo midiático sem precedentes, protagonizado por um jovem sequestrador de apenas 22 anos. Leonardo Pareja, embora goiano, se tornou um dos rostos mais conhecidos da criminalidade brasileira.
Mas antes de se tornar o “bandido popstar” que desafiou o sistema em Goiás, ele já havia deixado sua marca na Bahia.
Sequestro em Feira de Santana

Em setembro de 1995, após assaltar o Hotel Samburá, em Feira de Santana, a aproximadamente 100 quilômetros de Salvador, Pareja manteve como refém por três dias uma adolescente de 16 anos. A garota era sobrinha do então senador Antônio Carlos Magalhães.
Toda a ação teve uma grande cobertura da mídia nacional. Após a libertação da refém, ele passou mais de um mês em fuga. Durante todo o perído, Leonardo Pareja concedeu entrevistas a emissoras de rádio e televisão.
Depois de passar por vários estados, Pareja foi preso em abril de 1996 no estado de Goiás.
Auge do espetáculo
Preso no Centro Penitenciário de Atividades Industriais do Estado de Goiás (Cepaigo), na cidade de Aparecida (GO), Pareja comandou um motim que durou seis dias. E foi ali que ele se tornou uma lenda no mundo do crime.
Ele manteve como reféns não apenas agentes penitenciários, mas também integrantes do Judiciário, da Segurança Pública e até equipes de reportagem, como a da TV Anhanguera. O promotor Haroldo Caetano, na época com 26 anos, foi um desses reféns, e relatou que “cada segundo parecia uma eternidade”.


Ao final da rebelião, Pareja conseguiu fugir com mais de 43 detentos. Com ele, foram levados seis reféns. Mais uma vez a fuga teve a participação da mídia nacional. Em tom de deboche com as autoridades, ele chegou a parar em um bar, onde comprou bebidas, cigarros e até mesmo deu autógrafos.
Apesar da imagem de criminoso desafiador e midiático, acabou recapturado no dia seguinte, em Porangatu (GO).
O fim da ‘lenda’
Em 9 de dezembro de 1996, Leonardo Pareja foi morto a tiros por detentos dentro do presídio. A versão oficial aponta que detentos atentaram contra sua vida após descobrirem que ele informou à direção do Cepaigo um plano de fuga de alguns presos, o qual se daria através de um túnel escavado pelos custodiados.
Entretanto, existe uma versão extraoficial de que lideranças do presídio invejavam o status de “artista” que Leonardo Pareja mantinha, o que teria provocado o assassinato do criminoso.