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Calendário dos Jogos de Inverno entra em revisão por impacto climático; entenda

Mudança no calendário busca garantir neve e também pode alterar período de realização das Paralimpíadas

O Comitê Olímpico Internacional (COI) avalia a possibilidade de transferir futuras edições dos Jogos Olímpicos de Inverno de fevereiro para janeiro. A discussão ocorre diante dos impactos das mudanças climáticas, que têm reduzido a disponibilidade de neve natural e dificultado a manutenção das condições ideais para a realização das competições.

A eventual alteração no calendário também afeta diretamente os Jogos Paralímpicos de Inverno, tradicionalmente disputados algumas semanas após as Olimpíadas. A proposta em análise prevê que as Paralimpíadas passem a ser realizadas em fevereiro, em vez de março, como ocorre atualmente.

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Brasil no desfile dos atletas em Pequim 2022Reprodução/COB

Reprodução/@nicole__silveira

Nicole SilveiraReprodução/@nicole__silveira

Reprodução/@pinheiiiroo

Lucas Pinheiro BraathenReprodução/@pinheiiiroo


O tema foi abordado publicamente por Karl Stoss, presidente do Grupo de Trabalho do Programa Olímpico do COI, durante conversa com jornalistas nesta quarta-feira (4/2).

“Talvez também estejamos discutindo antecipar um pouco as Olimpíadas de Inverno para janeiro, pois isso também tem implicações ⁠para as Paralimpíadas”, disse Stoss.

Na sequência, o dirigente explicou os motivos climáticos que sustentam a possível mudança no calendário paralímpico: “As Paralimpíadas agora são em março, e isso é muito tarde, porque ‌o sol é forte o suficiente para derreter a neve. Então, talvez as Paralimpíadas sejam em fevereiro e a outra edição (Jogos Olímpicos de Inverno) seja em janeiro.”

Historicamente, a antecipação dos Jogos de Inverno não é inédita, embora seja rara. A última edição iniciada em janeiro ocorreu em Innsbruck, em 1964, quando a competição começou no dia 29 daquele mês, há 62 anos.

O debate ocorre em um contexto de aquecimento global acelerado. Em diversas regiões tradicionalmente associadas aos esportes de inverno, a neve natural tornou-se menos frequente, enquanto a produção de neve artificial enfrenta limitações devido à menor disponibilidade de água. Esse cenário tem ampliado os desafios logísticos e ambientais para a realização dos eventos.

Um estudo do próprio COI indica que, até 2040, apenas dez países poderão reunir condições adequadas para sediar as modalidades de neve dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno. A edição de Pequim, em 2022, exemplificou essa tendência ao se tornar a primeira da história a utilizar praticamente 100% de neve artificial, com o uso de mais de 100 geradores e cerca de 300 canhões para cobrir as pistas.

Além das mudanças de calendário, o COI também analisa ajustes no formato do evento. Entre as possibilidades está a inclusão de esportes tradicionalmente associados às Olimpíadas de Verão, como forma de ampliar o interesse do público e gerar novas fontes de receita. As edições de 2030, nos Alpes franceses, e de 2034, em Salt Lake City, seguem, por enquanto, previstas para fevereiro.

O escopo dessas discussões foi detalhado por Stoss durante uma sessão do COI realizada nesta quarta-feira. “Estamos revisando o tamanho dos Jogos, a combinação de esportes e as opções para novas adições. Também analisamos o potencial cruzamento entre esportes de verão e de inverno”, pontuou.

Provas de corrida e de ciclismo aparecem entre as modalidades mais citadas nas discussões internas como possíveis candidatas a esse cruzamento entre programas olímpicos.

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